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Conteúdo, copyright… onde está o valor das coisas

Falando de negócios, estamos dizendo que o grande desafio dos proprietários de conteúdo é torná-los rentáveis de uma maneira sintonizada com o momento do mundo.

O guru Nicholas Negroponte, professor do MIT, previu há mais de uma década que haveria uma troca de papéis nas telecomunicações. O que tradicionalmente fluía pelo ar, como rádio e televisão, passaria a percorrer cabos (tv a cabo, rádios via internet etc). E o que nasceu preso a fios como a telefonia, se tornaria livre. Os celulares estão aí tocando sem parar nas salas de cinema para não nos deixar mentir.

Outro visionário, o autor de “A Cauda Longa” e editor da Wired Chris Anderson, criou sua versão desta previsão: tudo o que nasceu pago ficará gratuito e vice-versa.

Ousado? Com certeza.
Mas vejamos: a TV, além de livre, era gratuita. Agora é a cabo e paga. Os canais de rádio via satélite são pagos. Idem para as rádios online como o Pandora ou o Sonora, do Terra. Nunca se comprou tanta água engarrafada. E até o ar tem preço. O que são os créditos de carbono se não taxas que se paga para gastar/estragar o ar?

Produtos : de modems de banda larga a filtros e geladeirinhas transformam-se em serviços, por meio das soluções de comodato e aluguel. E os bens digitalizados imploram para ganhar o mundo, povoar a matrix, se espalhar como gremlins.

Tudo que se digitalizou ?
De livros e músicas a nossas próprias identidades e privacidade, perdeu o conceito de propriedade junto com os átomos que os compunham. Música já não se compra. Ou você aluga ou simplesmente copia. Junto com o Orkut, a pirataria foi um dos grandes vetores da inclusão digital no Brasil. Procure nos mercados populares por CDs piratas. Eles perdem cada vez mais espaço para os DVDs. Isso porque até o CD genérico de R$ 3 é caro perto de um clique no eMule. A pirataria é tão feia e errada como real e inevitável. Ignorar isso é fingir que aquele iceberg jamais afundaria um transatlântico como o nosso.

E tem mais. Digitalizado, o conteúdo pede não só para ganhar o mundo, mas para evoluir. Mudar, mitoses, meioses, osmoses, fagocitoses de idéias, imagens, sons… bricolagem frenética e digital. Criação coletiva, colaborativa. Máquina fazendo arte. Gente e máquina fazendo máquina.

De quem é o conteúdo ? Patente do quê ? Quem é o dono da ideia ? De quem é a foto do Corcovado ? Se eu fotografo um quadro que é refeito em calda de chocolate por Vik Muniz e depois ganha versões nas mãos de anônimos e um camelô imprime e vende em Guadalajara, quem merece receber os direitos autorais ?

Copyright é algo tão na moda quanto mullets e polainas. E não porque está errado. Simplesmente o mundo mudou. Não que ele precise ser abolido. Ele simplesmente não se aplica mais às regras do jogo.

Falando de negócios, estamos dizendo que o grande desafio dos proprietários de conteúdo é torná-los rentáveis de uma maneira sintonizada com o momento do mundo. E não como uma Durval Discos anacrônica.

Mas ainda é cedo para os produtores de átomos rirem de nós, seres digitais. Se ainda não existe a cópia em massa de átomos, tudo que é material virou commodity. Já não há diferença de fato entre tipos de arroz, tipos de carros, tipos de laptops. E as marcas, que assumiram a responsabilidade de diferenciar os produtos, estas sofrem com pirataria, clones, mudanças de humor do mercado.

O futuro, apostam os especialistas, está na customização em massa. Ou seja, produzir em larga escala produtos que rivalizam com os artesanais na capacidade de ser a cara do consumidor. Só que quando todos os produtos tiverem a minha cara, todos serão iguais (a mim). Um Apple e um Sony seriam a mesma coisa. Talvez com uma diferença de aura, de estilo, benefício acessível a um punhado de sortudas e bem-trabalhadas marcas.

Se uma ponte ou uma geladeira já não vale o que valia e se tudo que é digital se copia, onde está o valor ? Eu aposto no artesanal. Não por ser tosco, barato. Nem por ser uma oportunidade de dar uma esmola a quem se esforça com calos nas mãos. O artesanal se destaca porque possui algo que nenhum MP3 baixado pelo Torrent nem nenhuma Louis Vuitton de camelô pode oferecer: uma história autêntica. É mais que o produto, é a história que ele percorreu até chegar a suas mãos. Veja o valor que você dá a estúpidos souvenires de viagem. Quanto vale aquele chaveirinho vagabundo que você comprou na Tailândia ? Para você, uma fortuna.

Você não pode copiar uma história autêntica. Você não pode se apropriar da história de outro produto. Você pode até copiar a marca, mas o valor da marca não leva junto o valor da experiência de fazer parte da vida daquilo que se tem em mãos. Quanto você pagaria por uma cópia de um autógrafo ?

Não se pirateia um repente. Uma bolsa de palha do Jalapão. Uma serenata sob a janela ou um pocket show do U2 na Quinta da Boa Vista. Não se pirateia ou patenteia experiência. Mil corridas de avião em plena enseada de Botafogo não mimetizariam um Red Bull Air Race. Você pode até forjar uma história, como fez brilhantemente o sorvete Haagen-Dazs, mas ela é sua, só sua. A experiência é o DNA do produto. Deixem o conteúdo correr. Deixem que se crie, que se recrie. Ninguém vai roubar aquilo que realmente tem valor para você: sua alma. Se você tiver uma, é claro.

Por Roberto Cassano, blogueiro e diretor de estratégia.

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FAKE NEWS

Informações falsas ganham as redes sociais e a internet

Na era da pós-verdade, verdade e ficção se dissolvem em uma perigosa influência na opinião pública

Informações falsas ganham as redes sociais e a internet
A internet e as redes sociais criaram oportunidades novas para as operações de informação

Não existe nada de novo nas discussões sobre notícias falsas ou campanhas de desinformação da Rússia. Em 1983, no auge da Guerra Fria, uma história extraordinária foi publicada no jornal Patriot, uma obscura publicação pró-soviética. O artigo dizia que o governo dos Estados Unidos havia criado o vírus da Aids como uma arma biológica e pretendia exportá-lo para outros países, sobretudo para os países em desenvolvimento, como uma forma de controlá-los. A história reapareceu em diversas publicações importantes em mais de 50 países.

Em fevereiro do ano passado, logo após as revelações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas antes da divulgação de seu impacto no Facebook, Twitter e no Google, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, declarou que havia criado unidades especiais no exército russo destinadas a fazer uma guerra de informação na mídia. Uma semana antes, o general Petr Pavel, presidente do Comitê Militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), revelou que um relatório sobre estupros de mulheres na Lituânia por soldados alemães fora inventado pela Rússia.

A internet e as redes sociais criaram oportunidades novas para as operações de informação (IO), que usam as mensagens como armas para influenciar usuários de redes sociais, que leem apenas notícias e opiniões que confirmam suas ideias, sem que haja possíveis controvérsias.

Segundo o Facebook, durante e depois das eleições presidenciais americanas em 2016, a Internet Research Agency, um site russo que divulga mensagens nas redes sociais, em grupos de discussão e sites de notícias foi responsável pela publicação de cerca de 120 páginas falsas e 80 mil postagens recebidas por 29 milhões de americanos. Por meio do compartilhamento de informações, o número chegou a quase 150 milhões de usuários da web, ou aproximadamente dois terços do eleitorado americano.

A guerra de informação não se limita à Rússia. Os radicais jihadistas usam a divulgação de informações falsas para recrutar novos combatentes. E, apesar do combate das redes sociais à divulgação de notícias falsas, as técnicas russas de manipulação da opinião pública se adaptam com facilidade ao novo ambiente digital. Segundo Rand Waltzman, um antigo gerente de projetos da Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) dos EUA, “quando os russos percebem que há pontos vulneráveis em suas técnicas de IO, logo iniciam uma nova guerra de informação”.

No futuro, o avanço da inteligência artificial dificultará ainda mais a distinção entre as informações falsas e verdadeiras divulgadas nos meios digitais. Os sites oficiais e as redes sociais ficarão mais vulneráveis à ação dos hackers e à exposição a conflitos. É preciso unir forças em um projeto comum para lutar contra a era pós-verdade em que a sociedade prefere os boatos aos fatos.

Fontes:
The Economist – Waging war with disinformation

Esclarecendo mentiras

Esclarecendo algumas MENTIRAS sobre #Lula e o #PT
Lula criou o ProUni
Lula criou o SAMU 192
Lula criou o Bolsa Família
Lula criou o sistema de Cotas
Lula criou o Enem
Lula criou o Fies
Lula criou o PAC
Lula criou o Fome Zero
Lula criou o Minha Casa Minha Vida
Lula criou o Luz para todos
Lula criou o PETI
Lula criou o Brasil Alfabetizado
Lula criou a UPA
Lula criou o Primeiro Emprego

Lula criou o FIES ?
Não!
O FIES foi criado em 1975 na época do regime militar e era chamado de crédito Educativo. No governo do FHC esse programa foi reformulado e concretizado e mudou o nome para FIES.

Bolsa família :
Todos sabem que o bolsa família é a junção de outros benefícios como Bolsa escola, bolsa alimentação, vale gás e etc.
E foi Lula quem fez essa junção. Certo?
ERRADO!
Essa Junção começou a existir em Junho de 2001 e dado como lei. E mais, tem vídeo do Lula dizendo que era contra esses benefícios criados pela Ruth Cardoso e dizia que isso era compra de voto. E o mais engraçado é que atualmente ele usa o bolsa família como o maior cabo eleitoral dele e do PT.

Lula criou o Luz pra todos certo?
ERRADO!
O luz pra todos foi criado no governo anterior e se chamava Luz no campo e segundo o IBGE, em 1996 70% das áreas rurais já havia luz e em 2001 mais 20% e no governo Lula apenas 5%.

Lula tirou 36 milhões da pobreza certo?
ERRADO!
Primeiramente nem a Índia tem tudo isso. E segundo, tem vídeo do Lula dizendo que inventam números pra parecer mais dramático mais sério enfim. E outra se o Brasil tivesse 36 milhões na pobreza, era um miserável a cada cinco pessoas. E outra como que o Lula tirou 36 milhões na pobreza sendo que em 1998 no Brasil havia 14 milhões na pobreza e em 2001 havia 6 milhões? Esses dados são dados do IPEA Instituto de Pesquisa da Economia Aplicada. É um órgão ligado ao palácio do Planalto.

Lula luta pelas minorias certo?
ERRADO!
Lula juntamente com o PT e seus aliados usam essas minorias como massa de manobra para ganhar as eleições. Tem vídeo do Lula dizendo que Pelotas é o maior exportador de viados no mundo. Tem áudio do Lula chamando as mulheres do grelo duro. Não só do Lula como também de um professor universitário petista ameaçou a Raquel Sherazade de estupro, o ator José de Abreu cuspiu na cara de uma mulher num restaurante em São Paulo, tem vídeo do Jean Williams chamando um negro de negro gordo.

Ah mas aí vcs vão me falar que Lula fez com que o pobre comprasse casa, carro, geladeira, fogão. Certo?
ERRADO!
Não tem dedo do Lula e nem de presidente nenhum. Lula apenas ESTIMULOU O CRÉDITO, para que as pessoas pobres se endividassem, financie as porém a crise e a hora de pagar a conta chegou de 2008 pra cá, o número de inandiplentes só vem aumentando. Atualmente segundo o IBGE temos 60% de pessoas inadimplentes com nome no SPC.

Lula criou 14 universidades certo?
ERRADO!
Lula criou apenas 4 e os outros 10 reformou de forma desnecessária entre eles a antiga faculdade de Ciências e odontologia de Alfenas atual faculdade de Alfenas.
Mas uma coisa é fato, “Lula juntamente com o PT é o presidente mais corrupto da História do Brasil. Provas é o que mais tem como depoimentos de ex ministros do PT, ex tesoureiros, pessoas da JBS, da Odebrecht, da Petrobrás, contas bancárias, recibos, contas de telefones.”.

Ou seja Lula é um engodo, uma enganação do marketing.

Fake News, a mentira em primeiro lugar

A disseminação de Fake News é um fato mundial relativamente novo e que vem se expandindo em preocupante progressão

A disseminação de Fake News é um fato mundial relativamente novo e que vem se expandindo em preocupante progressão. Por este motivo, países como Alemanha, Estados Unidos e França – e também o Brasil – começam a lidar com o problema.

Em nosso país, o Tribunal Superior Eleitoral criou um conselho consultivo especificamente projetado para combater a propagação de notícias falsas cujo objetivo é deformar candidaturas e reputações. Reunido esta semana em Brasília, o conselho decidiu procurar os gigantes da área como o Facebook, o Google e o Twitter para buscar mecanismos que ao menos freiem a difusão de conteúdo falso, que ocorre – é bom que se diga – não somente online, mas também nas mídias convencionais. Segundo o secretário geral do tribunal, Luciano Felício, “o foco não é a punição, mas a prevenção”.

Não é que a imprensa brasileira seja especializada na criação de mentiras de forma maldosa e deliberada. O fato é que praticamente todos os partidos postam fakes nas redes sociais com “verdades” denuncistas contra eventuais e possíveis candidatos ou nomes emergentes. É a fogueira do prestígio de quem quer que seja. Ocorre também que alguns coleguinhas da capital federal são tentados a produzir textos baseados nas declarações de fontes palacianas. E palácios não faltam “no planalto central do país”. E, na capital do país, citações e declarações de fontes – grosso modo – não requerem apuração.

Já na Rússia, a coisa é mais séria no regime de Vladimir Putin. Os sites RT e Sputnik, comandados pelo Kremlin, dedicam-se quase que exclusivamente a espalhar falsidades sobre autoridades de estado antagônicas a Moscou. O presidente francês, Emmanuel Macron, por exemplo, é a bola da vez. E não há órgãos que controlem o ímpeto da imprensa marrom comandada por Putin. Mas a União Europeia estuda o assunto com seriedade.

A “barriga” dos jornalistas brasileiros

No Brasil, o jargão jornalístico “barriga” é usado quando uma notícia falsa é divulgada quase sem querer – sem a devida apuração. Ocorre, por exemplo, quando um veículo de comunicação quer divulgar o número de vítimas de um grave acidente e projeta para cima o número de mortos. Tempos depois, acaba sendo obrigado a ressuscitar alguns deles.

Esta semana, por exemplo, a senadora Gleisi Hoffmann produziu com espalhafato – intencionalmente ou não – uma fake news ao divulgar no Twitter que a torcida do Bayern de Munique homenageara o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em uma faixa com os dizeres “Forza Lula” em função do julgamento a que será submetido no dia 24 deste mês. Na verdade, os dizeres eram “Forza Luca”, um torcedor italiano ferido em confusão entre as torcidas de dois times italianos. Ainda assim, Gleisi não se deu por vencida e atacou os veículos de comunicação brasileiros que notaram o erro. Até que Augusto Nunes, de Veja, foi escalado para espinafrar a presidente do Partido dos Trabalhadores.

O Picasso Falso do INSS

O documentário “Mercado de Notícias”, de Jorge Furtado, aborda o papel e a responsabilidade da imprensa com os fatos e, principalmente, com as mentiras. O filme destaca matéria veiculada pela Folha de S. Paulo em 2004 dando conta que um quadro de Picasso, “Mulher em Branco”, era uma das preciosidades do patrimônio de um escritório do INSS e passava os dias debaixo das luzes florescentes em meio à papelada da repartição. A notícia exclusiva foi publicada em vários jornais e sites – como o Estadão, Isto É, El Siglo, High BeaBeam – serviço de busca que publica matérias de publicações e jornais em todo o mundo – só para citar alguns. Dois anos depois, a mesma obra volta à mesmíssima primeira página da Folha. O prédio do INSS pegou fogo e teve gente que arriscou a própria vida para salvar o Picasso.

Soube-se depois que tal obra era mera reprodução – que pode ser comprada por dez dólares na lojinha do Guggenheim, onde o original está exposto. Os veículos que embarcaram na canoa furada da notícia falsa jamais reconheceram o erro. Pior, nenhum jornalista correu atrás para saber quem deu o Picasso falso como pagamento de dívida com o INSS.

Por Claudio Carneiro

 

As armadilhas da linguagem jornalística

Mesmo em jornais conceituados, jornalistas tendem a usar palavras ricas em conteúdo, mas omitem artigos e preposições essenciais ao contexto das notícias

Os grupos de pessoas com interesses e ocupações comuns têm códigos linguísticos de difícil compreensão para os não iniciados. Os jornalistas não são uma exceção. A palavra “lide”, para indicar a abertura de um texto jornalístico, “chamada”, um pequeno texto na primeira página a fim de atrair o leitor para matérias publicadas nas muitas sessões de um jornal, ou “furo”, notícia importante publicada antes de outros meios de comunicação, são algumas das palavras usadas no dia a dia das redações dos jornais.

Mas à parte esse jargão específico de um local de trabalho, os jornalistas precisam buscar clareza em seus textos destinados, em geral, a um grande público. Na Grã-Bretanha, os jornais enfrentam uma competição terrível nas inúmeras bancas de jornais espalhadas pelas cidades. Assim, os tabloides procuram publicar manchetes com frases curtas e de grande impacto para atrair o leitor, muitas vezes com um sentido obscuro.

No entanto, mesmo em jornais mais tradicionais e conceituados, os jornalistas tendem a usar palavras ricas em conteúdo, mas omitem artigos e preposições essenciais à estrutura e ao contexto das notícias de maior destaque das primeiras páginas dos jornais. Por outro lado, nas matérias principais os jornalistas têm uma tendência oposta. Muitas vezes os artigos são escritos em um estilo claro, de tão fácil leitura, que os leitores se sentem perdidos em meio a outras notícias mais precisas e contextualizadas.

O uso de palavras corriqueiras na mídia impressa como “proeminente”, “marco histórico”, “divisor de águas”, “estratégia”, entre outras, dá a impressão que o jornalista não acredita no impacto dos fatos que relata e, por isso, recorre a chavões, ou a ideias estereotipadas.

Mas os bons editores devem ficar atentos às armadilhas da linguagem jornalística. Certa vez, George Orwell escreveu: “Nunca use uma metáfora, ou outra figura de linguagem.” Assim, em vez de frases triviais como “as mariposas são atraídas pela luz artificial”, Orwell diria “as moscas são atraídas pelo cheiro da decomposição de um gato morto”. Mas nesse rigor linguístico de um grande escritor está implícita a mensagem que um jornalista deve se ater aos fatos expressos de uma forma clara, informativa, transparente e imparcial. Um grande desafio, sem dúvida.

Finado Lula

 

“Nunca entre num lugar de onde tão poucos conseguiram sair”, alertou Adam Smith. “A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama”, cravou o romano Ovídio. “Corrupção é o bom negócio para o qual não me chamaram”, ensinou o Barão de Itararé.
E na contramão de todos está alguém que abriu mão de si mesmo pelo poder. Lula construiu uma história de vida capaz de arrastar emoções e o levar à presidência. Agora, de modo desprezível, o mesmo Lula destrói-se por completo.
Não é preciso resgatar o tríplex, o sítio ou os R$ 30 milhões em “palestras” para atestar a derrocada do ex-presidente. Basta tão somente reparar a figura pitoresca na qual Lula se tornou.
O operário milionário sempre esbanjou o apoio popular e tomou para si o mérito de salvar o país da miséria. Contudo, junto disso, entregou-se aos afetos das maiores empreiteiras, não viu mal em lotear a máquina pública, nem constrangeu-se em liderar uma verdadeira organização criminosa.
Sem hesitar, brincou com os sonhos do povo e fez de seu filho, ex-faxineiro de zoológico, um megaempresário. Aceitou financiamentos regados a corrupção, fez festa junina pra magnatas e mentiu, mentiu e mentiu. O resultado, enfim, chegou: ao abrir mão de si mesmo, Lula perdeu o povo.
Pelas ruas, o ex-presidente é motivo de indignação e fonte de piadas. Lula virou chacota, vergonha, deboche. Restou-lhe a militância do pão com salame e aqueles que tratam a política com os olhos da fé messiânica.
Seu escárnio da lei confirma sua queda. Lula ainda enxerga o Brasil como um rebanho de gado e não percebe que está só, cercado por advogados que postergam seu coma moral. Enquanto ofende o judiciário e todos aqueles que não beijam seus pés, Lula trancafia-se na bolha de quem ainda acredita que meia dúzia de gritos e cuspes podem apagar os fatos.
O chefe entrou num mundo sem saída, trocou sua consciência pelo poder e corrompeu-se até dissolver sua essência. Lula morreu faz tempo. Restou-lhe, apenas, uma carcaça podre que busca a vida eterna no inferno de si mesmo.

Por Gabriel Tebaldi, graduado em História pela UFES.

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Estudo analisa jornalismo e relações públicas

Na era digital, é cada vez menor a dependência que as empresas de relações públicas têm do jornalismo – e cada vez maior a dependência na direção contrária. Essa é a principal conclusão do estudo “Journalism and PR – News Media and Public Relations in the Digital Age” (Jornalismo e RP – Mídia Jornalística e Relações Públicas na Era Digital), produzido pelo Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo, da Universidade Oxford.

“As pessoas de RP ainda querem o endosso de um terceiro, independente”, diz John Lloyd, coautor do estudo ao lado de Laura Toogood. “Jornais e TV ainda são muito poderosos, mesmo com seus problemas. Mas não comandam mais o espaço das relações públicas.”

Imprensa, TV e outros meios “têm de negociar um novo contrato com as relações públicas” e já começaram a fazê-lo, diz ele, com experiências como publicidade nativa (anúncios em forma de jornalismo) e um elo maior com as empresas, mediado por RP.

Brasil e EUA

As relações públicas têm hoje o que os autores de “Journalism and PR” chamam de “novos aliados”: as redes de mídia social, os canais de comunicação criados diretamente por empresas ou políticos e os bancos e ferramentas de dados sobre os consumidores – big data.

“Os novos aliados são as formas digitais de comunicação”, diz. “As pessoas de RP e seus clientes – empresas, partidos, governos – têm outros canais com as pessoas com quem querem se comunicar, sejam clientes ou acionistas, eleitores ou o público.”

O resultado é que “não precisam mais de jornalistas para levar a sua mensagem”. Com isso, parte do que é hoje divulgado via relações públicas, em ações de assessoria de imprensa ou agência de publicidade, não recebe contexto nem crítica.

“Uma empresa pode divulgar um material dizendo que vai fazer um grande novo projeto e não há um jornalista para lembrar que, na última vez em que ela divulgou algo assim, o projeto fracassou”, diz Lloyd. “Portanto, é uma perda, sim, de sentido crítico.”

Sobre o Brasil, Lloyd acredita que o cenário não seja diferente do dos EUA. “Vale para onde mídia e relações públicas são fortes.”

Por Nelson de Sá – reproduzido da Folha de S.Paulo

Pesquisa investiga mudanças no jornalismo e no perfil do jornalista

As transformações ocorridas nos meios de comunicação, por meio das novas tecnologias e da cultura de convergência midiática, impactaram profundamente os processos de produção do jornalismo e, consequentemente, o perfil do jornalista. A conclusão é de uma pesquisa que avaliou o perfil do jornalista e as mudanças em trabalho.

“Os produtos jornalísticos impressos, televisivos ou radiofônicos são feitos de maneira completamente diferente do que há cerca de 20 anos”, disse Roseli Fígaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

Responsável pela pesquisa “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”, que teve apoio da FAPESP, Fígaro destaca que uma série de funções desapareceu da rotina do métier do jornalista.

 

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Estudo feito na ECA/USP indica que o profissional de hoje é jovem, multiplataforma e tem visão mercadológica do jornalismo 

 

“O tempo e o espaço, comprimidos pelas possibilidades das tecnologias de comunicação e de informação, foram assimilados nos processos de produção de modo a reduzir o tempo para a reflexão, a apuração e a pesquisa no trabalho jornalístico. O espaço de trabalho encolheu e ao mesmo tempo diversificou-se, transformando as grandes redações em células de produção que podem ser instaladas em qualquer lugar com internet e computador. O jornalismo on-line, em tempo real, os blogs e as ferramentas das redes sociais são inovações nas rotinas profissionais”, disse à Agência FAPESP.

No estudo, concluído em 2013, um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, orientado por Fígaro, buscou saber o que essas transformações representam em termos de mudanças no perfil do profissional e o que o jornalista pensa sobre o próprio trabalho e sobre o jornalismo. O trabalho é resultado da análise das respostas de 538 jornalistas. Os dados também estão no e-book As mudanças no mundo do trabalho do jornalista(Editora Salta), lançado no segundo semestre de 2013.

Os 538 jornalistas pesquisados são de São Paulo – estado que abriga mais de 30% dos profissionais brasileiros da categoria – e foram consultados em duas fases metodológicas: a quantitativa, com o uso de um questionário fechado de múltipla escolha, e a qualitativa, com entrevista face a face com roteiro de perguntas abertas, e grupo de discussão, com roteiro dos temas mais polêmicos encontrados pelos instrumentos anteriores.

Quatro grupos amostrais responderam os questionários em diferentes períodos: dois grupos em 2009 – um formado com 30 jornalistas de diferentes mídias e vínculos empregatícios, selecionados de maneira aleatória via rede social, e outro constituído por 340 associados do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, também de diferentes mídias, vínculos e funções.

Um grupo de 90 jornalistas freelancers (sem vínculo empregatício), trabalhando em diferentes mídias, foi consultado em 2010. E um outro grupo de 82 jornalistas de uma grande empresa editorial da capital paulista também compôs a amostra, como fruto de uma pesquisa anterior, realizada em 2007.

Para a fase qualitativa – com entrevista individual de 20 jornalistas e discussão em focus groups, em duas sessões, com 16 jornalistas no total – foram selecionados 36 dos 538 jornalistas que responderam os questionários na fase quantitativa.

De forma geral, a maioria dos jornalistas tem um perfil socioeconômico de classe média, é jovem (até 30 anos), branca, do sexo feminino, não tem filho, atua em multiplataformas e tem curso superior completo e especialização em nível de pós-graduação. Outras características comuns são a carga horária de trabalho – de oito a dez horas por dia – e a faixa salarial de R$ 2 mil a R$ 6 mil.

O predomínio feminino coincide com os dados divulgados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que, no fim de 2012, registrou que os jornalistas brasileiros eram majoritariamente mulheres brancas, solteiras, com até 30 anos. Apenas no grupo dos sindicalizados, que reúne os profissionais com a faixa etária mais elevada e maior tempo de profissão, observou-se predomínio masculino.

Precarização dos vínculos empregatícios

A reestruturação produtiva ocorrida no mundo do trabalho, principalmente a partir dos anos 1990, transformou as relações de trabalho, afirma a pesquisadora na introdução de seu livro. Foi a partir dessa década que aumentou o número de jornalistas contratados sem registro em carteira profissional, abrindo caminho para novas formas de contratação, como a terceirização, contratos de trabalho por tempo determinado, contrato de pessoa jurídica (PJ), cooperados e freelancers, entre outros.

A chamada “flexibilidade” acaba por transferir aos trabalhadores o peso das incertezas do mercado. “Como mão de obra maleável seja em termos de horário, de jornada de trabalho ou de um vínculo empregatício, esses profissionais não podem planejar suas vidas em termos econômicos nem em termos afetivos”, disse Fígaro.

Os freelancers trabalham em período integral, para vários lugares, sozinhos em casa. Começam a pensar como empreendedores, aplicam os conhecimentos do jornalismo em outras atividades, como na revisão de trabalho acadêmico ou até na venda de pacotes de assessoria de comunicação para políticos.

Os mais jovens e os freelancers são os que menos conseguem planejar sua vida pessoal em relação à profissional fora do curto prazo, de acordo com a pesquisadora. “Trabalham hoje, para consumir hoje e não sabem como será seu trabalho no ano seguinte. Imagino que isso cause grande parte do estresse na vida do indivíduo”, afirmou Fígaro.

A pesquisa também verificou que as novas gerações se sindicalizam menos. Uma possível explicação para isso, segundo Fígaro, é que os profissionais que vivem instabilidade financeira e têm dificuldade em se relacionar com o mundo do trabalho não vislumbram soluções coletivas – como sindicalizar-se ou organizar-se para pleitear melhores condições de trabalho –, mas sempre em saídas individuais como, por exemplo, arrumar mais um emprego.

“Possuem um perfil profissional deslocado de valores coletivos, são individualistas e muito preocupados com o negócio. Vão em busca do cliente e consideram a informação um produto.” Ela ressalta, no entanto, que isso não quer dizer que o jornalista não esteja preocupado com causas da coletividade ou da sociedade, mas que há uma busca individual de soluções.

Os profissionais da área sabem que uma característica comum é a alta rotatividade de emprego: muda-se muito de uma empresa ou veículo de comunicação para outro. Na avaliação de Fígaro, “se por um lado, a experiência pode enriquecer o profissional, por outro é sempre um começar de novo, um novo que não é tão novo, porque se fica no mesmo nível hierárquico”.

De acordo com ela, é exigida hoje do jornalista atualização constante no uso de ferramentas digitais de prospecção, apuração e edição de informações. É fundamental ter habilidades e competências que permitam a atuação em diversas plataformas – impressa, tevê, rádio, internet – e em diferentes linguagens – verbal, escrita, sonora, fotográfica, audiovisual, hipertextual. “Exigem-se ainda noções de marketing e de administração, visto que se prioriza a visão de negócio/mercadoria já inserida no produto cultural, por meio do tratamento dado às pautas e à segmentação de públicos”, disse Fígaro.

Diferenças entre gerações

Enquanto os mais jovens estão fora das redações, em trabalhos precarizados, os mais velhos migram para a coordenação das assessorias de comunicação.

A coordenadora do estudo comentou que há casos muito conflituosos de desrespeito e intolerância tanto em relação ao profissional mais velho, quanto em relação ao jovem muito tecnológico, sem experiência. “As empresas, no afã de mudar sua cultura e dinamizar os interesses de seu negócio, quebram uma regra muito importante no mundo do trabalho: a transferência de saberes profissionais de uma geração para outra. Isso traz danos não só para a empresa, mas para toda a sociedade. Há um custo social a pagar por isso”, avaliou Fígaro.

Há diferença entre o que significa ser um bom jornalista hoje em relação a 20 anos atrás? “Jornalistas trabalham com os discursos da sociedade. Devem, portanto, compreender as implicações disso: discurso é produção de sentido; e produção de sentido é tomar posição, é editar o mundo e disponibilizar essa edição para quem estiver interessado nela.”

De acordo com a pesquisadora, hoje é preciso maior destreza com tecnologias que não existiam. Os jornalistas tinham menor destreza anteriormente? Não, na opinião de Fígaro. “Ser multitarefa e multiplataforma são exigências que colocam em ação habilidades humanas diferentes; e trazem implicações profissionais diferentes.”

Sob esse aspecto, os profissionais apresentam no discurso preocupação com a ética jornalística, com a apuração, com o texto, com a qualidade e a idoneidade das fontes. “Mas eles também têm claro que o tempo da racionalidade produtiva da mídia é o algoz do bom jornalismo. Destaco que esse tempo não é o tempo da vida cotidiana. É o tempo da produção comercial do produto notícia”, ressaltou Fígaro.

Formação profissional

Da amostra total, cerca de 5% não têm ou não concluíram o ensino superior. A absoluta maioria possui nível superior e, em média, 65% deles têm curso de especialização em nível de pós-graduação.

A mudança operacional é tão evidente que os cursos de jornalismo ganharam na última década teor ainda mais técnico-prático e operacional; fato que, na opinião da pesquisadora, não deveria se contrapor à preocupação com a ampla formação cultural e humanística do futuro profissional. “No entanto, é isso que vem acontecendo, inclusive com o aval do cliente/aluno, visto que a maioria dos jornalistas da pesquisa se formou em faculdades privadas.”

Outra característica marcante é que o jornalista começa a trabalhar muito cedo. Antes mesmo de concluir a faculdade, é incentivado a conquistar logo um posto de trabalho na área. Fígaro percebeu que há até um certo desprezo pela faculdade, como se o necessário fosse somente a formação técnica conquistada no âmbito do trabalho. “Essa discussão é complexa. O trabalho nunca é só técnica, norma, prescrição de uma empresa para a produção de determinado produto. Para o trabalho mobiliza-se um conjunto de saberes amplos que vão da gestão de si próprio e suas habilidades, à gestão das normas, dos relacionamentos, das linguagens etc.”

Na avaliação dos pesquisadores, parte dos profissionais da amostra teve uma formação “débil” no que diz respeito à capacidade de inter-relacionar fatos, dados e acontecimentos de maneira contextualizada política, social e historicamente. “Na verdade, é essa capacidade que considero como conhecimento fundamental para o desempenho da profissão”, disse Fígaro.

Produção de conteúdo

Os autores da pesquisa destacam o quanto o processo de seleção, análise e interpretação das informações, que são de fácil acesso hoje, ficou mais complexo e exige maturidade intelectual, profundo compromisso com a ética jornalística e com os fundamentos da produção do discurso jornalístico. Porém, lamentam que “o limite e a separação entre as orientações da redação de um veículo de comunicação e a área comercial da empresa, antes tão fundamentais para a credibilidade do exercício profissional, hoje sequer fazem parte do repertório das novas gerações”.

Os jornalistas da empresa editorial pesquisada consideram os meios de comunicação o negócio mais promissor do mundo globalizado e um negócio como outro qualquer. O grupo de jornalistas selecionado nas redes sociais se divide sobre o papel dos meios de comunicação – para uns, é um instrumento de fazer política, cultura e educação e, para outros, trata-se de um negócio como outro qualquer. Os sindicalizados e os freelancers consideram os meios de comunicação um instrumento de informação, cultura e educação.

No que diz respeito à opinião dos jornalistas sobre o “valor” da informação, apenas os profissionais do grupo dos sindicalizados a veem como um direito do cidadão. Os demais a consideram um produto fundamental da sociedade.

Dessas questões derivam outras em relação ao tipo de jornalismo que o cidadão deseja e daí qual o engajamento profissional necessário. “Está em jogo que tipo de democracia se quer construir, pois o direito à informação é o alicerce de uma sociedade democrática”, disse Fígaro.

Para a pesquisadora, falta a compreensão de que o jornalista é o profissional que trabalha com os discursos das diferentes instituições e agentes sociais para devolvê-los aos cidadãos, de maneira compreensível. “A informação é um direito humano, consagrado pela nossa Constituição e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje, grande parte dos jornalistas encara a informação como uma mercadoria como outra qualquer e, em minha opinião, aí está o problema.”

Consumo cultural

A maioria dos jornalistas pesquisados lê jornais todos os dias; quem menos lê, no entanto, são osfreelancers. Todos os grupos afirmam assistir à televisão todos os dias. Parte da mostra também ouve rádio todos os dias. A internet, mais do que outros meios de comunicação ou de comunicação interpessoal, é o meio pelo qual todos ficam sabendo das notícias mais importantes, fazem compras, estudam, trabalham e pesquisam.

Ainda assim, o que o jornalista mais segue nas mídias sociais é a mídia tradicional e grandes veículos de comunicação e a busca, geralmente, está mais ligada ao trabalho do que à obtenção de informação em si.

Todos os grupos gostam de ler, ir ao cinema, boa parte vai ao teatro. Nas horas vagas, alguns vão à academia de ginástica e outros não vão a lugar algum.

Para os autores da pesquisa, o maior crédito que atribuem ao estudo e ao e-book, além dos dados levantados, é provocar nos jornalistas um debate sobre a profissão.

Fonte : Por Jussara Mangini para Agência Fapesp