Finado Lula

 

“Nunca entre num lugar de onde tão poucos conseguiram sair”, alertou Adam Smith. “A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama”, cravou o romano Ovídio. “Corrupção é o bom negócio para o qual não me chamaram”, ensinou o Barão de Itararé.
E na contramão de todos está alguém que abriu mão de si mesmo pelo poder. Lula construiu uma história de vida capaz de arrastar emoções e o levar à presidência. Agora, de modo desprezível, o mesmo Lula destrói-se por completo.
Não é preciso resgatar o tríplex, o sítio ou os R$ 30 milhões em “palestras” para atestar a derrocada do ex-presidente. Basta tão somente reparar a figura pitoresca na qual Lula se tornou.
O operário milionário sempre esbanjou o apoio popular e tomou para si o mérito de salvar o país da miséria. Contudo, junto disso, entregou-se aos afetos das maiores empreiteiras, não viu mal em lotear a máquina pública, nem constrangeu-se em liderar uma verdadeira organização criminosa.
Sem hesitar, brincou com os sonhos do povo e fez de seu filho, ex-faxineiro de zoológico, um megaempresário. Aceitou financiamentos regados a corrupção, fez festa junina pra magnatas e mentiu, mentiu e mentiu. O resultado, enfim, chegou: ao abrir mão de si mesmo, Lula perdeu o povo.
Pelas ruas, o ex-presidente é motivo de indignação e fonte de piadas. Lula virou chacota, vergonha, deboche. Restou-lhe a militância do pão com salame e aqueles que tratam a política com os olhos da fé messiânica.
Seu escárnio da lei confirma sua queda. Lula ainda enxerga o Brasil como um rebanho de gado e não percebe que está só, cercado por advogados que postergam seu coma moral. Enquanto ofende o judiciário e todos aqueles que não beijam seus pés, Lula trancafia-se na bolha de quem ainda acredita que meia dúzia de gritos e cuspes podem apagar os fatos.
O chefe entrou num mundo sem saída, trocou sua consciência pelo poder e corrompeu-se até dissolver sua essência. Lula morreu faz tempo. Restou-lhe, apenas, uma carcaça podre que busca a vida eterna no inferno de si mesmo.

Por Gabriel Tebaldi, graduado em História pela UFES.

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Estudo analisa jornalismo e relações públicas

Na era digital, é cada vez menor a dependência que as empresas de relações públicas têm do jornalismo – e cada vez maior a dependência na direção contrária. Essa é a principal conclusão do estudo “Journalism and PR – News Media and Public Relations in the Digital Age” (Jornalismo e RP – Mídia Jornalística e Relações Públicas na Era Digital), produzido pelo Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo, da Universidade Oxford.

“As pessoas de RP ainda querem o endosso de um terceiro, independente”, diz John Lloyd, coautor do estudo ao lado de Laura Toogood. “Jornais e TV ainda são muito poderosos, mesmo com seus problemas. Mas não comandam mais o espaço das relações públicas.”

Imprensa, TV e outros meios “têm de negociar um novo contrato com as relações públicas” e já começaram a fazê-lo, diz ele, com experiências como publicidade nativa (anúncios em forma de jornalismo) e um elo maior com as empresas, mediado por RP.

Brasil e EUA

As relações públicas têm hoje o que os autores de “Journalism and PR” chamam de “novos aliados”: as redes de mídia social, os canais de comunicação criados diretamente por empresas ou políticos e os bancos e ferramentas de dados sobre os consumidores – big data.

“Os novos aliados são as formas digitais de comunicação”, diz. “As pessoas de RP e seus clientes – empresas, partidos, governos – têm outros canais com as pessoas com quem querem se comunicar, sejam clientes ou acionistas, eleitores ou o público.”

O resultado é que “não precisam mais de jornalistas para levar a sua mensagem”. Com isso, parte do que é hoje divulgado via relações públicas, em ações de assessoria de imprensa ou agência de publicidade, não recebe contexto nem crítica.

“Uma empresa pode divulgar um material dizendo que vai fazer um grande novo projeto e não há um jornalista para lembrar que, na última vez em que ela divulgou algo assim, o projeto fracassou”, diz Lloyd. “Portanto, é uma perda, sim, de sentido crítico.”

Sobre o Brasil, Lloyd acredita que o cenário não seja diferente do dos EUA. “Vale para onde mídia e relações públicas são fortes.”

Por Nelson de Sá – reproduzido da Folha de S.Paulo

Pesquisa investiga mudanças no jornalismo e no perfil do jornalista

As transformações ocorridas nos meios de comunicação, por meio das novas tecnologias e da cultura de convergência midiática, impactaram profundamente os processos de produção do jornalismo e, consequentemente, o perfil do jornalista. A conclusão é de uma pesquisa que avaliou o perfil do jornalista e as mudanças em trabalho.

“Os produtos jornalísticos impressos, televisivos ou radiofônicos são feitos de maneira completamente diferente do que há cerca de 20 anos”, disse Roseli Fígaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

Responsável pela pesquisa “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”, que teve apoio da FAPESP, Fígaro destaca que uma série de funções desapareceu da rotina do métier do jornalista.

 

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Estudo feito na ECA/USP indica que o profissional de hoje é jovem, multiplataforma e tem visão mercadológica do jornalismo 

 

“O tempo e o espaço, comprimidos pelas possibilidades das tecnologias de comunicação e de informação, foram assimilados nos processos de produção de modo a reduzir o tempo para a reflexão, a apuração e a pesquisa no trabalho jornalístico. O espaço de trabalho encolheu e ao mesmo tempo diversificou-se, transformando as grandes redações em células de produção que podem ser instaladas em qualquer lugar com internet e computador. O jornalismo on-line, em tempo real, os blogs e as ferramentas das redes sociais são inovações nas rotinas profissionais”, disse à Agência FAPESP.

No estudo, concluído em 2013, um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, orientado por Fígaro, buscou saber o que essas transformações representam em termos de mudanças no perfil do profissional e o que o jornalista pensa sobre o próprio trabalho e sobre o jornalismo. O trabalho é resultado da análise das respostas de 538 jornalistas. Os dados também estão no e-book As mudanças no mundo do trabalho do jornalista(Editora Salta), lançado no segundo semestre de 2013.

Os 538 jornalistas pesquisados são de São Paulo – estado que abriga mais de 30% dos profissionais brasileiros da categoria – e foram consultados em duas fases metodológicas: a quantitativa, com o uso de um questionário fechado de múltipla escolha, e a qualitativa, com entrevista face a face com roteiro de perguntas abertas, e grupo de discussão, com roteiro dos temas mais polêmicos encontrados pelos instrumentos anteriores.

Quatro grupos amostrais responderam os questionários em diferentes períodos: dois grupos em 2009 – um formado com 30 jornalistas de diferentes mídias e vínculos empregatícios, selecionados de maneira aleatória via rede social, e outro constituído por 340 associados do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, também de diferentes mídias, vínculos e funções.

Um grupo de 90 jornalistas freelancers (sem vínculo empregatício), trabalhando em diferentes mídias, foi consultado em 2010. E um outro grupo de 82 jornalistas de uma grande empresa editorial da capital paulista também compôs a amostra, como fruto de uma pesquisa anterior, realizada em 2007.

Para a fase qualitativa – com entrevista individual de 20 jornalistas e discussão em focus groups, em duas sessões, com 16 jornalistas no total – foram selecionados 36 dos 538 jornalistas que responderam os questionários na fase quantitativa.

De forma geral, a maioria dos jornalistas tem um perfil socioeconômico de classe média, é jovem (até 30 anos), branca, do sexo feminino, não tem filho, atua em multiplataformas e tem curso superior completo e especialização em nível de pós-graduação. Outras características comuns são a carga horária de trabalho – de oito a dez horas por dia – e a faixa salarial de R$ 2 mil a R$ 6 mil.

O predomínio feminino coincide com os dados divulgados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que, no fim de 2012, registrou que os jornalistas brasileiros eram majoritariamente mulheres brancas, solteiras, com até 30 anos. Apenas no grupo dos sindicalizados, que reúne os profissionais com a faixa etária mais elevada e maior tempo de profissão, observou-se predomínio masculino.

Precarização dos vínculos empregatícios

A reestruturação produtiva ocorrida no mundo do trabalho, principalmente a partir dos anos 1990, transformou as relações de trabalho, afirma a pesquisadora na introdução de seu livro. Foi a partir dessa década que aumentou o número de jornalistas contratados sem registro em carteira profissional, abrindo caminho para novas formas de contratação, como a terceirização, contratos de trabalho por tempo determinado, contrato de pessoa jurídica (PJ), cooperados e freelancers, entre outros.

A chamada “flexibilidade” acaba por transferir aos trabalhadores o peso das incertezas do mercado. “Como mão de obra maleável seja em termos de horário, de jornada de trabalho ou de um vínculo empregatício, esses profissionais não podem planejar suas vidas em termos econômicos nem em termos afetivos”, disse Fígaro.

Os freelancers trabalham em período integral, para vários lugares, sozinhos em casa. Começam a pensar como empreendedores, aplicam os conhecimentos do jornalismo em outras atividades, como na revisão de trabalho acadêmico ou até na venda de pacotes de assessoria de comunicação para políticos.

Os mais jovens e os freelancers são os que menos conseguem planejar sua vida pessoal em relação à profissional fora do curto prazo, de acordo com a pesquisadora. “Trabalham hoje, para consumir hoje e não sabem como será seu trabalho no ano seguinte. Imagino que isso cause grande parte do estresse na vida do indivíduo”, afirmou Fígaro.

A pesquisa também verificou que as novas gerações se sindicalizam menos. Uma possível explicação para isso, segundo Fígaro, é que os profissionais que vivem instabilidade financeira e têm dificuldade em se relacionar com o mundo do trabalho não vislumbram soluções coletivas – como sindicalizar-se ou organizar-se para pleitear melhores condições de trabalho –, mas sempre em saídas individuais como, por exemplo, arrumar mais um emprego.

“Possuem um perfil profissional deslocado de valores coletivos, são individualistas e muito preocupados com o negócio. Vão em busca do cliente e consideram a informação um produto.” Ela ressalta, no entanto, que isso não quer dizer que o jornalista não esteja preocupado com causas da coletividade ou da sociedade, mas que há uma busca individual de soluções.

Os profissionais da área sabem que uma característica comum é a alta rotatividade de emprego: muda-se muito de uma empresa ou veículo de comunicação para outro. Na avaliação de Fígaro, “se por um lado, a experiência pode enriquecer o profissional, por outro é sempre um começar de novo, um novo que não é tão novo, porque se fica no mesmo nível hierárquico”.

De acordo com ela, é exigida hoje do jornalista atualização constante no uso de ferramentas digitais de prospecção, apuração e edição de informações. É fundamental ter habilidades e competências que permitam a atuação em diversas plataformas – impressa, tevê, rádio, internet – e em diferentes linguagens – verbal, escrita, sonora, fotográfica, audiovisual, hipertextual. “Exigem-se ainda noções de marketing e de administração, visto que se prioriza a visão de negócio/mercadoria já inserida no produto cultural, por meio do tratamento dado às pautas e à segmentação de públicos”, disse Fígaro.

Diferenças entre gerações

Enquanto os mais jovens estão fora das redações, em trabalhos precarizados, os mais velhos migram para a coordenação das assessorias de comunicação.

A coordenadora do estudo comentou que há casos muito conflituosos de desrespeito e intolerância tanto em relação ao profissional mais velho, quanto em relação ao jovem muito tecnológico, sem experiência. “As empresas, no afã de mudar sua cultura e dinamizar os interesses de seu negócio, quebram uma regra muito importante no mundo do trabalho: a transferência de saberes profissionais de uma geração para outra. Isso traz danos não só para a empresa, mas para toda a sociedade. Há um custo social a pagar por isso”, avaliou Fígaro.

Há diferença entre o que significa ser um bom jornalista hoje em relação a 20 anos atrás? “Jornalistas trabalham com os discursos da sociedade. Devem, portanto, compreender as implicações disso: discurso é produção de sentido; e produção de sentido é tomar posição, é editar o mundo e disponibilizar essa edição para quem estiver interessado nela.”

De acordo com a pesquisadora, hoje é preciso maior destreza com tecnologias que não existiam. Os jornalistas tinham menor destreza anteriormente? Não, na opinião de Fígaro. “Ser multitarefa e multiplataforma são exigências que colocam em ação habilidades humanas diferentes; e trazem implicações profissionais diferentes.”

Sob esse aspecto, os profissionais apresentam no discurso preocupação com a ética jornalística, com a apuração, com o texto, com a qualidade e a idoneidade das fontes. “Mas eles também têm claro que o tempo da racionalidade produtiva da mídia é o algoz do bom jornalismo. Destaco que esse tempo não é o tempo da vida cotidiana. É o tempo da produção comercial do produto notícia”, ressaltou Fígaro.

Formação profissional

Da amostra total, cerca de 5% não têm ou não concluíram o ensino superior. A absoluta maioria possui nível superior e, em média, 65% deles têm curso de especialização em nível de pós-graduação.

A mudança operacional é tão evidente que os cursos de jornalismo ganharam na última década teor ainda mais técnico-prático e operacional; fato que, na opinião da pesquisadora, não deveria se contrapor à preocupação com a ampla formação cultural e humanística do futuro profissional. “No entanto, é isso que vem acontecendo, inclusive com o aval do cliente/aluno, visto que a maioria dos jornalistas da pesquisa se formou em faculdades privadas.”

Outra característica marcante é que o jornalista começa a trabalhar muito cedo. Antes mesmo de concluir a faculdade, é incentivado a conquistar logo um posto de trabalho na área. Fígaro percebeu que há até um certo desprezo pela faculdade, como se o necessário fosse somente a formação técnica conquistada no âmbito do trabalho. “Essa discussão é complexa. O trabalho nunca é só técnica, norma, prescrição de uma empresa para a produção de determinado produto. Para o trabalho mobiliza-se um conjunto de saberes amplos que vão da gestão de si próprio e suas habilidades, à gestão das normas, dos relacionamentos, das linguagens etc.”

Na avaliação dos pesquisadores, parte dos profissionais da amostra teve uma formação “débil” no que diz respeito à capacidade de inter-relacionar fatos, dados e acontecimentos de maneira contextualizada política, social e historicamente. “Na verdade, é essa capacidade que considero como conhecimento fundamental para o desempenho da profissão”, disse Fígaro.

Produção de conteúdo

Os autores da pesquisa destacam o quanto o processo de seleção, análise e interpretação das informações, que são de fácil acesso hoje, ficou mais complexo e exige maturidade intelectual, profundo compromisso com a ética jornalística e com os fundamentos da produção do discurso jornalístico. Porém, lamentam que “o limite e a separação entre as orientações da redação de um veículo de comunicação e a área comercial da empresa, antes tão fundamentais para a credibilidade do exercício profissional, hoje sequer fazem parte do repertório das novas gerações”.

Os jornalistas da empresa editorial pesquisada consideram os meios de comunicação o negócio mais promissor do mundo globalizado e um negócio como outro qualquer. O grupo de jornalistas selecionado nas redes sociais se divide sobre o papel dos meios de comunicação – para uns, é um instrumento de fazer política, cultura e educação e, para outros, trata-se de um negócio como outro qualquer. Os sindicalizados e os freelancers consideram os meios de comunicação um instrumento de informação, cultura e educação.

No que diz respeito à opinião dos jornalistas sobre o “valor” da informação, apenas os profissionais do grupo dos sindicalizados a veem como um direito do cidadão. Os demais a consideram um produto fundamental da sociedade.

Dessas questões derivam outras em relação ao tipo de jornalismo que o cidadão deseja e daí qual o engajamento profissional necessário. “Está em jogo que tipo de democracia se quer construir, pois o direito à informação é o alicerce de uma sociedade democrática”, disse Fígaro.

Para a pesquisadora, falta a compreensão de que o jornalista é o profissional que trabalha com os discursos das diferentes instituições e agentes sociais para devolvê-los aos cidadãos, de maneira compreensível. “A informação é um direito humano, consagrado pela nossa Constituição e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje, grande parte dos jornalistas encara a informação como uma mercadoria como outra qualquer e, em minha opinião, aí está o problema.”

Consumo cultural

A maioria dos jornalistas pesquisados lê jornais todos os dias; quem menos lê, no entanto, são osfreelancers. Todos os grupos afirmam assistir à televisão todos os dias. Parte da mostra também ouve rádio todos os dias. A internet, mais do que outros meios de comunicação ou de comunicação interpessoal, é o meio pelo qual todos ficam sabendo das notícias mais importantes, fazem compras, estudam, trabalham e pesquisam.

Ainda assim, o que o jornalista mais segue nas mídias sociais é a mídia tradicional e grandes veículos de comunicação e a busca, geralmente, está mais ligada ao trabalho do que à obtenção de informação em si.

Todos os grupos gostam de ler, ir ao cinema, boa parte vai ao teatro. Nas horas vagas, alguns vão à academia de ginástica e outros não vão a lugar algum.

Para os autores da pesquisa, o maior crédito que atribuem ao estudo e ao e-book, além dos dados levantados, é provocar nos jornalistas um debate sobre a profissão.

Fonte : Por Jussara Mangini para Agência Fapesp

 

Fim do privilegio de foro: equívoco que beneficiará os corruptos‏

Em meio às diversas medidas precipitadas que passaram a ser propostas a partir do momento em que os políticos brasileiros foram desancados nas manifestações de rua, reaparece a ideia de eliminar o privilégio de foro para deputados, senadores e outros ocupantes de cargos públicos.

Não havendo privilégio de foro, os processos contra esses políticos correrão na primeira instância, seja nas Justiças estaduais, seja na Justiça Federal. Se condenados, recorrerão aos Tribunais de Justiça ou aos Tribunais Federais.

Se os recursos a essas instâncias forem negados, recorrerão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em outras palavras, se os processos nos tribunais superiores já demoram anos e anos para se concluírem, levá-los para a primeira instância só fará aumentar ainda mais esses tempos.

Pode-se ter certeza de que, se condenações já são difíceis hoje, se tornarão praticamente impossíveis caso o privilégio de foro for eliminado.

Uma consequência direta da medida será o cancelamento de todos os processos que atualmente correm no STF e sua remessa aos níveis inferiores da Justiça. Por exemplo, o processo do Mensalão, o processo do Mensalão mineiro, os processos contra o deputado Paulo Maluf etc. etc.

Pode-se ter certeza de que, na hipótese de aprovação dessa ideia despropositada, nenhum dos réus desses e de outros processos cabeludos será punido em tempo finito.

Transparência Brasil.

 

Jornalismo, ética e redes sociais

As recentes ondas de demissões de jornalistas em mídias brasileiras, popularmente e historicamente conhecidas como “passaralho”– sobretudo ocorridas em São Paulo, embora não se restrinjam aos profissionais da informação –, talvez sejam a constatação mais cabal de que a informação jornalística não é mais – se é que um dia foi – o principal produto oferecido pelos veículos jornalísticos. No amplo espectro de interesses do campo da comunicação, o jornalismo é “mais um”, embora ele sirva, como discurso, para falar em “credibilidade” como fator central de tais mídias e para defender a plena “liberdade de imprensa”, tomando-se esta como liberdade de informação ou de negócios em quaisquer suportes tecnológicos.

As mudanças estruturais no jornalismo seguem determinados padrões, que acompanham épocas, circunstâncias, conjunturas e comportamentos. Num momento de implantação e consolidação das redes sociais, alguns autores falam no fim do jornalismo, enquanto outros no seu renascimento ciberespacial vinculado ao interesse público. Ele estaria na base da modernidade e do esclarecimento proposto pelo direito social à informação desde que foi inserido nas novas constituições nacionais a partir do advento das repúblicas e do novo espaço de cidadania que incluía os poderes constitucionais e as ruas.

Tal perspectiva reacende, entre muitos outros aspectos, uma discussão sobre os novos rumos do jornalismo, incluído aí o já não tão emergente ciberjornalismo, com seus processos de reconhecimento de temas relevantes, de métodos de apuração compatíveis com a verificação e com a linguagem mais adequada a cada público, de acordo com sua heterogeneidade, com suas experiências, com suas demandas.

Papel histórico

Por isso, num ambiente simultaneamente móvel e fugaz, pode-se “prever” que os usuários independem do jornalismo para se informar; independem do “mediador” para verificar; independem da linguagem para o “esclarecimento”.

No entanto, se de um lado o jornalismo é relevante como espaço de controvérsia qualificada, se é importante para articular o presente com informações confiáveis, verificadas, originais, claras e esclarecedoras, talvez o campo do jornalismo esteja migrando estritamente das redações e indo também para as assessorias especializadas em jornalismo, que trabalham públicos amplos ou específicos com a própria linguagem clássica do jornalismo, com os métodos de apuração compatíveis com a verificação e com assuntos relevantes para a sociedade. O jornalismo de assessoria pode também estar se qualificando e substituindo a própria produção e conteúdo tradicionalmente reservados às redações. E indo falar diretamente com seus públicos.

Da mesma forma, se antes o release era uma arma simples, relativamente inócua, submetido à desconfiança, hoje ele não é exclusivo na assessoria. Esta cresce em complexidade e tem critérios profissionais muito próximos da confecção de um produto jornalístico, incluindo a reportagem, central no jornalismo, herdeira do método sociológico e histórico de investigação e testemunho, que ao lado da controvérsia e da narração – herdeiras da filosofia e da literatura – povoaram as ideias e argumentos de que o jornalismo tem um caráter emancipador e esclarecedor.

A complexidade de determinados setores encontra, nas assessorias qualificadas, ambiente de cobertura e de debates antes exclusivos das redações, seja em uma tevê pública onde se debatem assuntos relevantes, polêmicos e com aprofundamento, seja em um site que inclui reportagens ambientais, econômicas e políticas que envolvem controvérsia e interpretação.

O repórter investigador e independente, figura central que nasce modernamente com a República e com os poderes desta, desapareceria no novo cenário com suas tradicionais características de questionador? Teria desaparecido faz muito tempo? Teria ainda a aura de autonomia diante dos poderes, sejam políticos ou econômicos, públicos ou empresariais privados? Teria ainda o papel histórico de desconfiar, de fazer perguntas incômodas, de destrinchar a realidade e dispô-la, mediada, a um público que de outra forma a ela não teria acesso? Talvez hoje o que ainda sobreviva como chama do jornalismo seja exatamente a figura do repórter. O jornalismo não estaria em extinção, mas o repórter teria muito menos espaços para agir.

Ora fixo, ora móvel

O renascimento do jornalismo nas redes sociais – embora enxuto nas redações tradicionais – poderia reacender o velho jornalismo dos sonhos, o de ser efetivamente um contrapoder vinculado ao interesse público e a seu papel crítico e emancipador? Para isso, mais do que uma possível legislação – que tende a se perder na multiplicidade de mídias, de atores, de fontes, de narradores contemporâneos nas redes sociais – quem sabe o campo da ética que reconhece a relevância, a apura e a narra, ajude a situar o jornalismo ainda com um papel distintivo em relação a outras informações que circulam. Nem todo chamado jornalismo cívico está vinculado a isso; nem toda interatividade e/ou participação cidadã estão vinculados a isso.

As mídias públicas, as assessorias públicas e privadas, a verificação nas mídias tradicionais que foram para a rede mundial de computadores, incluindo as redes sociais, estão na base da credibilidade contemporânea como referência pública comum. A reportagem qualificada, nas redes sociais, merece um selo de qualidade diferente, um ISO 3000 por assim dizer.

A diferença ética talvez seja uma diferença que se sobreponha às leis no ciberespaço. E pode receber merecimento público por causa disso. Mas é necessário um público que ainda tenha interesse nas mensagens jornalísticas e que as julgue relevantes para o seu dia a dia. Está aí, a meu ver, um dos desafios do jornalismo nas redes sociais e no novo jornalismo da multidão ciberespacial, com seu auditório ora específico ora amplo, ora particular ora universal, ora atento ora disperso, ora fixo ora móvel. E num mundo sempre em fuga e que, no entanto, necessita minimamente saber o que se passa.

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Publicado no Observatório da Imprensa em 11/06/2013 na edição 750.

Reproduzido do objETHOS em 10/6/2013 sob o título original “Jornalismo, ética e redes sociais – a reportagem e a verificação”, intertítulos do OFrancisco José Castilhos Karam, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisador do objETHOS.

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Storytelling – decifrando tendências

Sabemos que há quatro gerações trabalhando juntas, que cada geração possui características distintas em relação às outras e concluímos que a nossa sociedade vem mudando rapidamente.

Alguém já ouviu falar do conceito de “storytelling” aplicado no ambiente empresarial?

Esta técnica está em alta exatamente por conta dos novos desafios no local de trabalho, gerados pela transformação que a tecnologia nos trouxe (é a nova tendência para os próximos anos, para os quais devemos nos preparar).

Quanto mais utilizarmos mídias sociais, mais necessitaremos incorporar técnicas de “storytelling” para motivar, liderar e trabalhar com as novas gerações. Então vamos ver, de forma bem resumida, como podemos entender esta nova tendência no mundo corporativo.

Mas o termo “Storytelling” significa de forma descomplicada na capacidade de contar histórias. Este “relato” de histórias deve ser feito de forma que consiga envolver o interlocutor no assunto que se quer abordar. E sendo aplicado de forma natural, desde que fomos socializados, lá atrás na nossa infância. A diferença é que não nos damos conta de que, se estudarmos o “storytelling” de uma forma mais estruturada, conseguimos obter resultados mais efetivos do que se tivermos que conversar, convencer ou compartilhar algo com outra pessoa. “Storytelling”, portanto, significa a capacidade de uma pessoa ou grupo transmitir eventos em narrativa na forma de sons, palavras, imagens, com o objetivo de compartilhar, consolidar ou ensinar elementos importantes de sua cultura. É uma das competências mais antigas da humanidade, presente em todos os grupos de seres humanos, desde as cavernas até o “clip” com o qual aprendemos o que significa, por exemplo, facebook. Um filme, uma propaganda, uma reunião de trabalho possuem uma narrativa estruturada e conseguem envolver o público participante como mecanismo de educação, entretenimento, preservação da cultura e como meio para incutir valores. Cada história possui elementos obrigatórios: contexto (cenário), enredo e personagens, bem como o ponto de vista narrativo. Em toda história encontramos pelo menos um desafio (uma tarefa difícil de ser realizada) que é enfrentado por um personagem extraordinário, num determinado contexto. Este personagem envolve o interlocutor porque demonstra comportamentos marcantes (emocionantes) que o farão lembrar desta “experiencia” por muito tempo.

Por exemplo, no ambiente de trabalho, você já vivenciou alguma situação na qual passou ao colega uma “lista” de determinada tarefa a ser feita… mas ele não conseguiu concluir o trabalho de forma adequada? Então o “storytelling” não foi aplicado, por falta de uma “narrativa” que não gerou o engajamento do seu colega, e neste caso ele terá menos chance de lembrar-se e, provavelmente, não conseguirá se “envolver” nem repetir comportamentos adequados para a realização daquele trabalho.

Conclui-se que compartilhar uma lista do que deve ser feito não é suficiente!

Por outro lado, quando contamos fatos para um colega de tal forma a explicar um procedimento e damos como exemplo uma situação que aconteceu, digamos, semana passada, estamos nos valendo do “storytelling” para ilustrar e consolidar tal fato. Isto é “storytelling”!

O colega lembrará dos comportamentos que contamos, se envolverá com a “história” e conseguirá repetir e multiplicar os comportamentos “aprendidos” porque eles vieram juntos com a emoção da narrativa, possibilitando uma experiência satisfatória. Se conseguimos criar um marco emocional na outra pessoa de tal forma que ela consiga vivenciar e memorizar, através do exemplo, o procedimento a ser adotado no trabalho, então fizemos uso positivo do “storytelling”.

De forma prática, estamos falando de uma poderosa ferramenta para compartilhar conhecimento, que vem sendo utilizada pelo ser humano muito antes do que qualquer mídia social. Mas, em tempos de conectividade, sai na frente quem melhor engajar seu interlocutor usando tais técnicas. Dessa forma o líder de hoje precisa incluir no seu processo de desenvolvimento as técnicas de “storytelling”.

Um bom líder terá sucesso se conseguir envolver e explicar ao seu liderado como deve ser executado um determinado procedimento, ou como deve agir diante de determinadas situações, ao invés de usar uma lista de atividades que devem ser feitas, ele usa a história na qual aqueles procedimentos foram aplicados atingirá metas com eficácia porque engaja o outro através da história.

Como a maioria da bibliografia sobre “storytelling está publicada no idioma inglês, devemos enternder para que não haja confusão: existem duas palavras – “history” e “story” ; com significados diferentes. A primeira está ligada a fatos históricos e descreve fatos passados (como o descobrimento do Brasil, ou, na empresa, o lançamento de produtos, por exemplo). Entretanto, a palavra (“story”) significa uma estrutura narrativa, geralmente ligada à ficção, e que pode retratar algo que ainda vai acontecer quanto algo que já aconteceu. E em português, depois da reforma ortográfica, o correto agora é escrever “história” para ambos os casos.

O relevante aqui é entender que no ambiente corporativo quando usamos uma narrativa, tanto poderemos estar contando algo do passado, para que ele sirva de modelo para o futuro, quanto poderemos estar contando histórias para criar um novo futuro. No ambiente do trabalho as histórias devem ser sempre coerentes e bem contadas – senão passa a valer o popular “quem conta um conto, aumenta um ponto”.

Em uma corporação a cultura é passada de funcionário a funcionário através das histórias, que se modificam, se adaptam, ganham força e constroem a percepção dando forma às culturas empresariais.

Dicas sobre “Storytelling” corporativo:

– Histórias são tão fortes (e lembradas) que passam a ser repetidas e orientam o dia a dia empresarial: por isso o líder precisa saber e cuidar das histórias que passam de pessoa em pessoa;

– Se contar uma história é encadear eventos de maneira lógica, é importante criar espaços de troca e compartilhamento entre as pessoas, para que elas contribuam com o conhecimento coletivo de forma positiva;

– Uma boa história no ambiente de trabalho, para ser repetida, precisa ser coerente, retratar “personagens” que possuam características do grupo e geralmente estão relacionadas a processos de mudança e quebras de rotina bem sucedidas.

– Um bom líder valoriza histórias da sua equipe, estimula o compartilhamento, mas valoriza aquelas que refletem eventos extraordinários e resultados satisfatórios. É melhor repetir poucas histórias de sucesso, do que ficar dizendo ao grupo para evitar as histórias de fracasso (elas poderão ser mais lembradas do que as positivas…);

– Cautela para não exagerar, e contar apenas histórias nas quais os protagonistas não tenham a que ver com os membros da equipe – parecendo impossível atingir resultados extraordinários relatados nestas histórias, porque os personagens não serão reconhecidos pelo grupo;

– Valorize experiências da própria empresa. Cuidado ao pontuar a concorrência ( e criar visões estereotipadas). O grupo poderá memorizar o que “não fazer”, ao invés de vivenciar o que deve ser feito;

– Uma história pertinente ao ambiente empresarial deve conter elementos que estão presentes nas histórias da ficção, isto é, eventos com narrativa trazendo começo, meio e fim, passando pelo “clímax” para gerar expectativa e emoção. O diferencial é que a história corporativa pode contar com o “personagem corporativo”, que não é um ser humano, mas possui valores e uma missão a buscar. O componente emocional deve existir porque gera envolvimento e comprometimento daqueles que ouvem a história e aplicam os ensinamentos na rotina de trabalho.

Portanto, é hora de conviver com o “Era uma vez” de forma mais consciente, estruturada e profissional. Com as redes virtuais cheias de histórias, games e aventuras, será impossível trabalhar se você líder não tornar um bom contador de histórias.

Considerações de Alfredo Castro –  Formado em Engenharia e com pós-graduação em Finanças. É Lead Assessor da ISO 9000 e possui especialização em Qualidade, Psicologia e Eficiência Organizacional pela DDI, American Supplier Institute e Euroquest (EUA). Atua também como professor de cursos de MBA da FIA/USP, palestrante e escritor, além de prestar consultoria pela MOT – Treinamento e Desenvolvimento Gerencial, da qual é diretor-sócio.

O cotidiano da produção de notícias: os atritos na relação entre jornalistas e assessores de imprensa

Assessores de imprensa precisam de repórteres para divulgar pautas de seus clientes. Do outro lado do mercado de notícias, jornalistas estão sempre procurando furos de reportagem ou entrevistas exclusivas para seus veículos e é nessa hora que o assessor pode indicar uma fonte. Por mais simples que pareça, a relação pode soltar faíscas. A necessidade de aparar essas arestas motivou Rosângela Guimarães, editora do jornal ‘Hoje em Dia’, de Belo Horizonte, e Délio Campos, assessor na Interface Comunicação Empresarial, a publicarem o livro Cá entre nós – Como melhorar as relações entre jornalistas de redação e de assessores de imprensa, lançado este ano pela editora Asa de Papel.

Profissionais de diferentes tipos de veículos de todo o país foram convidados a expressar suas opiniões e sugerir melhorias na publicação. “Queríamos mostrar aos assessores o que os jornalistas pensam a respeito da relação, como é o seu dia a dia etc. Eles estão incomodados. Recebem muitos e-mails diariamente de assuntos que nem são pautas em suas editorias. A proposta é dar dicas aos comunicadores”, explicou Délio Campos.

“Um dos grandes pecados é enviar e-mails indiscriminadamente. Na pesquisa que realizamos, praticamente todos os jornalistas reclamaram disso. Tem gente também que manda a mesma mensagem para vários profissionais da redação. É preciso focar na hora de divulgar algo”, afirma o assessor.

Segundo Rosangela, esse disparo descontrolado de releases enche a caixa de e-mails das redações provocando grande desgaste, pois boas pautas podem acabar se perdendo em meio a tantas mensagens. “Essa é uma reclamação geral, não só de profissionais de Belo Horizonte, mas de veículos de outras cidades com quem conversei para elaborar o livro”, complementou. A editora responsável pelos cadernos ‘Classe Hoje’, sobre negócios, e ‘Eu acredito’, dedicado à sustentabilidade, listou outros problemas que alimentam o problema, como ligar em horário de fechamento para saber se o release foi recebido e insistir em temas que são importantes apenas para a empresa.

Para Délio, que é diretor de atendimento, os assessores devem conhecer os veículos e os jornalistas para os quais enviam suas pautas. Dessa forma, podem sugerir assuntos com maior taxa de aceitação. “É importante saber qual o melhor horário para ligar para o repórter e que tipos de temas lhe interessam”, apontou.

Rosângela acha que todo assessor deveria experimentar o dia a dia das redações, de rádios, emissoras de televisão e jornais. Para a editora, outro fator de estresse surge quando o repórter precisa de ajuda para intermediar uma entrevista e o assessor nem dá retorno. Como consequência, o jornalista acaba publicando uma matéria incompleta. “O assessor deve responder pelo menos para dizer que não conseguiu uma fonte ou que esta não vai dar a declaração”, explicou.

Além de conhecer com profundidade o perfil do veículo, segundo Délio, os assessores têm de entender que certas pautas servem como uma luva para mídia impressa, mas não se encaixam na televisão, por exemplo. Em depoimento no livro, Marina Victal, produtora de jornalismo da TV Globo Minas, concorda. “Não adianta sugerir um assunto ótimo se ele não for traduzível em imagem, material com que a televisão trabalha. Cada TV ou jornal tem assuntos que lhe são mais caros. Dentro dos próprios veículos há divisões nítidas, aqueles que trabalham com o factual, revistas especializadas etc.”

A ideia do livro também é abordar o cotidiano do assessor, profissional que acaba tendo dois clientes: aqueles que pagam pelo trabalho de divulgação e os repórteres que têm que ser convencidos a publicar determinada sugestão. “O jornalista de redação muitas vezes não sabe que a rotina do assessor pode ser tão pesada quanto a da redação. Muitos clientes querem medir resultados de uma forma que não faz sentido. Não adianta insistir em aparecer se não tem informação a oferecer”, contou.

Tão importante quanto ser um bom divulgador das ações, serviços e produtos do cliente, o assessor deve ser também um consultor. Segundo Délio, é preciso explicar a mecânica do mercado de comunicação e notícia. “Temos que orientar os clientes, pois muitos confundem propaganda com assessoria de imprensa. Não dá para acatar todas as vontades.”

Segundo Rosângela, para entender esses trâmites, os repórteres poderiam procurar conhecer melhor o trabalho dos assessores. Ela nota que ainda existem preconceitos em relação a jornalistas que deixam as redações para trabalhar nas assessorias. Para se construir um relacionamento sólido e saudável entre os profissionais, Rosângela defende uma postura transparente e objetiva. “É preciso ter um contato aberto para ver como cada um pode ajudar o outro. Não adianta embarreirar o jornalista, como este também deve entender a função de intermediador do assessor”, ponderou.
Por André Bürger