Profunda Tristeza

2009 Outubro 3
by comunicapress

É com profundo pesar que vejo as pessoas se esquivando de suas próprias verdades. Se enclausurando em um mundo a parte cercado por uma cerca que os protege da realidade.

Pessoas que vêem o mundo como se estivessem vendo televisão onde problemas são como canais de televisão basta mudar o canal e está tudo resolvido. Esquecem-se de que o programa continua rodando mesmo que elas não estejam mais sintonizadas naquele canal.

Pessoas que não enxergam relação entre elas e o mundo aliás para elas a vida é um grande aparelho de televisão. Ao ponto de usar o pronome vocês quando fala de uma situação que envolve um grupo do qual fazem parte ao invés de usar o pronome nós. Mas elas não se incluem no “programa televisivo” elas só assistem. O fato não tem nada a ver com elas.

Pessoas que se prostram diante de situações corriqueiras não assumindo nenhuma posição efetiva e se escusando: “O que você quer que eu faça?”

Nunca podem fazer nada não são responsáveis por nada no máximo são vítimas. Vítimas do destino; vítimas de Deus porque Ele assim o quis; vítimas de outras pessoas inescrupulosas. Nada é merecido…

Pessoas que agem com desdém com deboche e com ironia quando sofrem alguma reação o outro é grosso e ignorante. Não é culpa delas.

Pessoas que não sabem refletir discernir e resolver qualquer questão quando questionadas respondem com evasivas com desculpas ou evocando fatos que não possuem relação alguma com o fato em questão tornando ainda mais difícil o entendimento entre as partes.

Muitas vezes essas pessoas sequer ouvem o que você fala se ouvem não fazem nada para entender e responder de forma clara precisa e pontual à questão. Uma profunda falta de respeito e educação. Já dizia minha falecida avó: “Quando um burro fala o outro abaixa a orelha.” Uma regra da comunicação tão simples quanto eficaz e tão desprezada nos dias de hoje.

Entristece-me a dificuldade que as pessoas têm de pedir desculpas quando erram preferem atentar à inteligência de seus interlocutores com desculpas desconexas dificultando a chegada a um acordo.

Essas pessoas com dificuldades sérias de percepção de suas próprias existências de seus atos e consequentes reflexos acreditam serem humildes e vítimas de algozes e insensíveis arrogantes. Dói-lhes absurdamente reconhecer seus erros possuem uma necessidade vital de achar um culpado. Não possuem consciência de que o reconhecimento de um erro nos torna melhor mesmo que doa um pouco. Sempre dói. Então seguem persistindo em seus erros alegando que são assim mesmo. Paciência.

Pessoas essas que acham tudo “cumpricado” teimosas insistem em seus pontos de vista baseados unicamente em suas crenças e orgulho. Elas possuem uma visão simplista e tacanha do mundo o mundo delas é o que está dentro da fortaleza que as separa do resto do mundo real. Já vi pessoas formadas que fazem cursos de pós-graduação escrevendo sete ou oito parágrafos sem uma única vírgula. Questionada a respeito disse que escreve do “seu jeito”. Desde então eu me pergunto se existe no Brasil mais de uma regra gramatical da Língua Portuguesa ou se esta regra é passível de personalização. Me ajudem!

Seria simples se todos nós não tivéssemos consciência alguma de nossos atos do papel que desempenhamos em uma sociedade ou dos reflexos de nossas ações nos grupos dos quais participamos e no meio ambiente. A falta desta consciência torna as pessoas individualistas. Por isso elas nunca estão erradas fazem o que segundo o entendimento delas têm o direito de fazer; parar na faixa de pedestre e em curva; lavar a calçada com mangueira; queimar sofás na rua; pichar muros; pedir propinas; empregar parentes e paro por aqui do contrário isso viraria um livro. Por este mesmo motivo o de não estarem erradas não pedem desculpas tão pouco mudam o jeito de fazer as coisas. Como elas dizem: “são assim mesmo”.

Campanhas maciças são realizadas para se tentar mudar a forma dessas pessoas agirem para que entendam como elas afetam à sociedade e ao meio ambiente. Para alertá-las de regras mínimas necessárias ao convívio social. Entenda-se como sociedade qualquer comunidade da qual façamos parte.

Infelizmente essas campanhas na surtem efeito nem há condição de diálogo pelos motivos já expostos pois essas pessoas apenas “mudam de canal” e “resolvem” o “probrema”. Pelo menos não deixam o “probrema” invadir o cercadinho imaginário que criam em volta de si. Elas estão na sala e o que vêm é apenas ficção até que a realidade lhes atinja de forma inexorável. Mais ai ai é outra história é vontade de Deus. O quê elas podem fazer? Não é verdade.

Alguém já disse: “A consciência do brasileiro é a polícia”.

Por isso às vezes fico muito triste pois não vejo a luz no final do túnel. Ando por esta cidade moro em São Paulo – Capital e vejo ao vivo cenas que via em filmes norte-americanos da década de 70 e 80 sobre gangues de rua do bairro do Brooklin em Nova York tais como: Brooklin Warriors e Fuga de Nova York.

Vejo carros apodrecendo às vezes queimados nas ruas paredes pichadas; lixo espalhado; pessoas de todas as idades e sexo bebendo e usando drogas a céu aberto quando não estão caídas ou brigando; crianças comprando bebidas e cigarros e depois fumando e bebendo na frente de policiais que nada fazem.

Para mim isso é uma realidade triste fruto da ignorância e do individualismo que tiveram sua origem na dissolução da família base de qualquer sociedade.

A falta de consciência das pessoas é tão grande que delegaram aos professores o dever de educar nossos jovens infelizmente esqueceram-se de lhes dar a necessária autoridade.

São essas pessoas que sem educação sem ensino sem noção dos limites de liberdade necessários ao convívio social que se matam em seus pseudo-s lares. Violam e agridem mulheres e crianças que ameaçam e atacam professores que não reconhecem a autoridade policial ou temem a justiça.

Em certos momentos queria ser como eles, pois tenho certeza que é mais fácil ser como eles do que como sou.

Texto e reflexões de Marx Durkheim Hobsbawm Weber da Silva – Sociólogo e brasileiro

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