Você fez o mais difícil: possui usuários interessados em receber e-mail marketing de sua marca e está pronto para enviá-lo. Errar no campo assunto é como bater pênalti para fora.
É comprovado que o assunto é fator determinante na escolha entre ler, apagar ou ignorar os e-mails. Pesquisas apontam que 35% dos usuários abrem seus e-mails de acordo com o conteúdo do assunto, sem esquecer que você está sempre competindo com muitas outras mensagens nas caixas de leitura para conquistar um pouco da atenção dos usuários.
Usuários domésticos recebem cerca de 35 mensagens/dia, enquanto usuários corporativos recebem cerca de 100. O objetivo principal de criar um bom texto para o “assunto” é aumentar a taxa de leitura, um dos principais indicadores de resultados das ações de e-mail marketing.
Se o usuário lê, ele está confirmando que recebeu sua mensagem e inicia um relacionamento com sua empresa.
Geralmente ações de marketing direto buscam estimular a resposta do usuário, o famoso call-to-action. Você envia a mensagem esperando que ele interaja de alguma forma com sua comunicação (geralmente clicando em algum link ou encaminhando para um amigo).
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Essas são as primeiras conquistas: converter não leitores em leitores, para depois transformar leituras em cliques; o usuário Recebe -> Lê -> Clica (e com um bom trabalho ->clica, clica, clica…)
Como construir um bom assunto (subject)
Mas como fazer a diferença no meio de tantas mensagens? É preciso muita criatividade na elaboração do assunto.
* procure informar e apresentar alguma coisa valiosa, instigue o usuário a ler o e-mail;
* escreva um assunto relevante à mensagem (se o usuário não encontrar nada relacionado no conteúdo do e-mail ele ficará frustrado);
* personalize com informações do usuário (nome, cidade, estado) e reforce sua marca/produto para que o usuário tenha mais confiança para clicar;
* sempre que possível use uma pessoa diferente de quem criou o e-mail para redigir o assunto;
* faça um teste com os e- mails que você recebe: quais assuntos mais lhe atraem? Use a mesma inspiração;
* evite usar textos muito longos. Cada leitor de e-mail mostra um número de caracteres como limite, 50 é um número razoável;
Um ponto de atenção é o fato de que o assunto é um dos primeiros itens analisados pelos provedores na busca por mensagens de spammers, principais inimigos dos profissionais que praticam as boas práticas do marketing de permissão. Então é preciso cuidado com assuntos que levem palavras já tarimbadas por mensagens enviadas em massa.
Algumas ferramentas de envio já oferecem recursos para analisar a chance de sua mensagem ser classificada como spam antes de efetuar o disparo. Isso pode lhe garantir alguma segurança.
Construir um bom assunto faz toda a diferença nos resultados de suas ações de e-mail marketing. Dedique-se para criar algo interessante que incentive a leitura da mensagem. Lembre-se que o início do relacionamento começa com um bom assunto e o próximo objetivo é transformar as leituras em : interesse e cliques.
Autor do texto, Fabio Nunes que atua na concepção e desenvolvimento de softwares para marketing direto.
Para ir onde o povo está, os veículos participam do Twitter e demais ambientes colaborativos abertos a conversas. É justo. Veja como jornais e revistas online devem agir e os benefícios que podem encontrar.
Lembro de ter feito esta pergunta aos alunos do 3° ano de jornalismo da Cásper Líbero, em junho de 2008. Também lembro da inquietação nos rostos, quebrada por lampejos de ousadia: “divulgando notícias no Orkut?”, “caçando fontes?”, “buscando pautas”?
Eram pistas para o que hoje vemos em boa parte das redações daqui e lá de fora: a preocupação em como aproveitar as mídias sociais no processo editorial.
Depois do Daily News contratar um gestor de mídias sociais, do Guardian anunciar a vaga para “keyword manager” e do exemplo ser seguido por redações brasileiras como Estadão e UOL, posicionar jornalistas para gerenciar espaços em plataformas colaborativas é um movimento em ascensão.
Bom para as redações – que ganham um manancial de informações e oportunidades para atingir novos públicos. Bom para os jornalistas – que desbravam uma nova área de atuação.
Investir neste campo, porém, é algo delicado e que requer uma estratégia. Mídia social é gente. Jornalismo é gente. E lidar com gente é um desafio constante. Portanto, nada de ser “moderninho” e sair criando perfis em tudo quanto é mídia social. Entendê-las é o primeiro passo para traçar um bom plano de exploração.
O DNA de cada mídia social
Antes de mais nada, vamos entender por “mídias sociais” aqueles ambientes em que o público produz e compartilha conteúdo, com possibilidades de diálogo público, e não apenas “redes sociais” como Orkut e Facebook.
Mídias sociais, assim, se estendem a video-audio-image-slide-texto-sharing como YouTube, Vimeo, Flickr, Slideshare, Ning, SoundCloud, Scribd, Twitter, Wikipedia, Ask500People, RSS Readers, widgets e afins.
Apesar de todos eles se sustentarem pelo UGC (user generated content), o cerne destes serviços varia drasticamente. Suas aplicações, portanto, também podem variar.
Ao passo em que o YouTube e o Flickr são reconhecidos pela veiculação de vídeos e fotos, os sites de relacionamento estão ligados ao diálogo pessoal. Isso pode representar um problema se o veículo pretende criar um perfil no Orkut com o logo da marca e não mostrar a “cara” de quem está por trás, operando.
Discussões em comunidades pedem espontaneidade e não pronunciamentos oficiais. Por outro lado, já é normal que empresas de conteúdo tenham seus próprios canais no YouTube, afinal, o que interessa é muito mais o vídeo publicado do que a conversa que segue nos comentários.
Já o Twitter tem outras peculiaridades. Ele se presta tanto para diálogo quanto para veiculação unidirecional. Se o dono de um perfil deseja utilizá-lo apenas para divulgar conteúdo do site, então o jeito é avisar seus seguidores para não gerar frustração diante de um reply.
Mas há casos curiosíssimos como o @coloneltribune, do Chicago Tribune: trata-se de um avatar criado pela redação para ser o perfil “conversador” do jornal no Twitter. Enquanto o Chicago apenas divulga manchetes, o Colonel conversa com os seguidores. Tudo em nome da redação.
Entender cada um destes espaços faz com que estimemos quem está presente neles. Daí a pergunta que cada editor de mídias sociais deve se fazer: se o meu veículo fosse uma pessoa, por quais destas mídias ele navegaria?
Obviamente é necessário conhecer o público do veículo para fazer esta estimativa. Mas nada que um perfil básico de faixa etária, renda familiar, hábitos digitais e profissão não resolva. Afinal, uma das riquezas das mídias sociais é justamente fazer com que o nosso veículo conheça melhor o seu público.
O que dá para fazer?
Muitas coisas, sem dúvida! Mas é melhor eleger prioridades. Caso contrário, a sedução de aproveitar todas as possibilidades destas plataformas fica maior do que os braços que a redação tem para executar o serviço. A propósito: que baita serviço!
Mídias sociais dão trabalho, especialmente porque requerem um tempo de leitura de um conteúdo amplo e nada organizado.
Outro foco é a atenção pessoal que o público presente nestas redes exige de quem está lá. Não se trata de respostas automáticas, de atendimento massivo. O grupo pode ser numeroso, mas o feedback que ele espera da redação é tão individual quanto um amigo responde aos seus scraps. Afinal, todos habitam o mesmo ambiente e podem, tecnicamente, se comportar de maneira igual.
Algumas possibilidades que podem nortear uma estratégia editorial em mídias sociais são:
* inspiração para pautas;
* coleta de feedbacks sobre materiais já publicados;
* busca por fontes;
* aproximação com o público (e isso deve ser compartilhado com o depto. de marketing – peça instruções sobre SMO – Social Media Optimization);
* auxílio na apuração de fatos com quem está mais próximo dos fatos;
* divulgação de conteúdo publicado;
* busca por novos públicos (especialmente os mais jovens, que não têm o hábito de visitar sites noticiosos e passam a maior parte do tempo online em mídias sociais. Como essa galerinha vai consumir notícia? Os widgets como o NYT bem explora no Facebook podem ser um caminho);
* identificar conteúdos que possam ser associados ao veículo mediante permissão do autor;
* aumentar a visitação ao site da marca;
* busca pelo “outro lado” da informação – afinal, o que não falta nestas mídias é opinião e visões variadas!
* conquistar novos públicos para a marca.
Ainda antes de explorar
Assim que as redes sociais estouraram no mundo digital, a Der Spiegel resolveu investir na criação da própria rede, tentando mobilizar seus leitores online. Ao invés ou além de acessarem o Facebook, podiam encontrar as mesmas funcionalidades na rede da Der Spiegel! Fail!!
O dia continua tendo 24 horas para acessarmos todas as redes a que fazemos parte. E “fazer parte” não significa ter perfil criado. Significa conversar, produzir conteúdo, trocar. Se já participo de uma rede bem resolvida, onde meus amigos já estão presentes, por que migrar ou guardar mais uma senha de uma rede nova? Daí que o alarme deve soar toda a vez que ouvirmos “quero criar uma rede social para o meu site”.
A história não é nova, mas abre exceções quando vemos públicos altamente especializados à procura de espaços diferenciados para interagir. É o caso de redes como CasaPRO, dedicada somente a arquitetos, decoradores e demais profissionais deste setor.
Além de analisar cada demanda de público antes de criar uma rede nova, outros cuidados devem ser tomados ao traçar a estratégia de atuação jornalística em mídias sociais:
* como irei me identificar? (sim, isso lembra os recentes comunicados internos da AP, da Globo e da Folha orientando seus jornalistas a utilizarem ambientes colaborativos);
* tem como fazer cross-media?
* como lidar com as críticas?
* e se a concorrência estiver lá?
* quais métricas utilizar para medir este projeto?
Nota do Editor
Texto publicado no Webinsider é da autora Ana Maria Brambilla – jornalista e mestre em comunicação e publica o blog Libellus.
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Hoje em dia a Internet é importante fonte de informações e referência para a avaliação de produtos e serviços. Além disso, os mecanismos de busca são uma das formas mais utilizadas para selecionar aquilo que é mais relevante. Os resultados podem afetar a percepção do consumidor. A partir desse cenário, a E.Life realizou um estudo dos links que aparecem na primeira página de resultados nos mecanismos de busca em pesquisas por termos relacionados a diversas marcas e categorias.
Foram pesquisadas no Google e Yahoo! as quatro marcas mais lembradas segundo o Top of Mind 2008, realizado pelo Datafolha, em 10 categorias – aparelho de telefone celular, aparelho de TV, banco, carro, cartão de crédito, companhia aérea, computador e acessórios, operadora de telefonia celular, seguro e supermercado. Os resultados foram classificados em quatro tipos de mídia – sites corporativos, sites de compra e venda (sites de e-commerce, classificados e de comparação de preços), mídias geradas pelo consumidor (mídias sociais, como blogs, enciclopédias, sites de reclamação, entre outros) e sites de informações e notícias.
Os resultados mostram que a participação de cada tipo de mídia na busca varia muito de categoria a categoria.
Os sites corporativos são a maioria dos resultados da primeira página no caso de seguros (69%), operadoras de celular (60%) e bancos (86%). Os sites de compra, por sua vez, dominam os resultados para companhias aéreas (60%) e eletrônicos, como celulares (54%), aparelhos de TV (63%) e computador e acessórios (57%).
Já as mídias geradas pelo consumidor representam um percentual importante dos resultados em categorias como cartão de crédito (37%), carro (26%) e computador e acessórios (22%). Os sites de informações e notícias têm menor participação na primeira página de resultados de buscas. Este tipo de mídia aparece em maior percentual somente na busca por marcas da categoria supermercado, com destaque a localizadores, como o site Apontador.
Outra constatação é a de que sites colaborativos como o Wikipedia, sites de recomendação e reclamação como Reclame Aqui e fóruns como o Guia do Hardware aparecem frequentemente na primeira página de resultados das marcas. “Mesmo os internautas que não são participantes ativos nas mídias sociais podem ser influenciados por elas fazendo uma simples busca no Google ou no Yahoo”, comenta Alessandro Barbosa Lima, diretor da E.Life.
(Texto publicado no site Clientesa.com.br)
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“O problema não é o acesso, é a falta de capacidade em utilizar bem a Web “
Uma voz otimista sobre o futuro do mundo pós-internet, o filósofo francês Pierre Lévy enxerga um
sem-número de possibilidades no mundo digital (que chama de ciberespaço). Durante sua visita a cidade de Santos, para o evento Cibercultura 10 + 10, da CPFL Cultura, ele discutiu esse futuro com o músico e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e deu a entrevista que se segue.
Que espécie de construção de conhecimento o senhor enxerga em ferramentas como o Twitter e em redes sociais como o Facebook e o Orkut? No dia a dia esses instrumentos não acabam se tornando reflexos de um processo de mediocrização do mundo?
Não vejo dessa forma. Especialmente no Twitter, cujo conteúdo que você enxerga depende exclusivamente de um processo seletivo seu. Eu tenho uma conta no Twitter e sigo menos de 200 pessoas. E se eu vejo que a pessoa está usando o espaço para falar amenidades, contar o que está vestindo, eu simplesmente deixo de seguir a pessoa. Mas se vejo um tweet com uma chamada do tipo `Olha só esse texto sobre a crise da mídia impressa’ e um link ao lado, eu clico no link, leio o texto e estou feliz.
É isso que torna a proposta do Twitter tão interessante?
É isso. Você gerencia as informações. É você o responsável por escolher quem segue e o que chega de informação útil, não é preciso esperar que um site decida o que é ou não importante. Ou uma tevê, um rádio, uma revista, um jornal. É conhecimento construído de forma coletiva, sim. E horizontal, o que é mais importante. O que é preciso entender é que a ferramenta em si não é nem boa nem ruim. Ou so que se faz dela é que varia.
Esse uso depende do conteúdo pessoal. Quem não tem o que dizer não tem o que colocar no Twitter, como então estimular a vida inteligente no ciberespaço mesmo entre quem não está disposto a discussões acadêmicas?
Isso é muito claro e, ao mesmo tempo, um desafio tremendo. As pessoas precisam aprender a fazer as coisas do jeito certo. É simples assim. É educação.
O senhor tem o mesmo olhar para as redes sociais como o Facebook e o Orkut?
Eu estou no Facebook. Entro em boa parte dessas novidades de internet para sentir como funcionam, quais são os recursos. Mas o Facebooktem um caráter mais de diversão, de lazer, que também é importante. É para compartilhar fotos, trocar links engraçados. Outro serviço que acho interessante é o Delicious (www.delicious.com), que também é uma rede social, se for utilizado da forma correta. E estou no Twine (www.twine.com), também. Mas a ferramenta mais interessante da internet é oTwitter, se usado do jeito certo.
É um tipo de comunicação que irá substituir, em algum ponto da história, a tradicional?
Não creio. Confio mais em uma complementaridade. O Twitter não pode existir sem que existam websites e blogs, que são as fontes de conteúdo. É mais um modo de se colocar em contato com pessoas e ideias interessantes. Há várias camadas. Temos o Twitter no topo da pirâmide. Em seguida temos os blogs. Depois, os websites sérios. E talvez, em seguida, os livros. É preciso complementar sem substituir. É tão importante a rapidez e a concisão do Twitter quanto a solidez da informação que encontramos em A República de Platão.
O seu conceito de inteligência coletiva mudou muito do período em que o senhor começou a estudá-lo até hoje?
Inteligência coletiva é inerente a qualquer animal social. Incluindo o ser humano. Mas o homem tem algo que outros não têm: a linguagem. E, graças a ela, essa inteligência coletiva é muito mais forte. Mas eu não acho que o ciberspaço seja necessário para que essa inteligência coletiva exista. Ele é apenas um multiplicador mais poderoso do que a mídia tradicional. Mas eu enxergo agora que a principal diferença é a possibilidade de uma inteligência coletiva reflexiva, que vem da nossa capacidade de observar o próprio processo cognitivo.
Um cidadão médio sabe no máximo sua língua-mãe e uma outra. Essa barreira da linguagem atrapalha o crescimento de uma verdadeira inteligência coletiva mundial?
A principal barreira é o idioma. E também o fato de as línguas naturais não terem evoluído para atender às demandas dessa nova realidade. Então, se houvesse um código universal, solucionaria uma série de problemas de comunicação.
Estaria o inglês se tornando esse idioma universal?
Eu sei que há muita gente que pensa assim. Mas, para começar, mesmo que seja muito praticado, não é um idioma que todos no mundo falam. Isso é uma grande questão, pois como qualquer língua natural, é cheia de irregularidades,de ambiguidades. E também não é adequada para este fim. Temos que pensar em algo novo, diferente das línguas naturais em geral. Por outro lado, ao escolher o inglês vem à tona toda a questão da dominação cultural. Que, como toda dominação, é bastante temporária. Talvez em um século seja o chinês, ninguém sabe. É preciso que seja algo diferente do que já existe.
Algo como o latim, que não era a língua-mãe de nenhum povo mas influenciou quase todos os idiomas…
O caminho pode ser esse. É possível pensar no que o latim representou na Europa medieval. Não era a língua-mãe de ninguém. Era uma língua especial para a ciência, a religião e para as coisas sagradas. E havia as línguas profanas, ao mesmo tempo. Inglês é uma língua profana.
Em que nível o sr. acha que a evolução do ciberespaço irá afetar os conceitos de política e democracia? Existiria no mundo real do futuro e como visto em livros de ficção científica, uma e-democracia, com consultas populares on-line?
A noção de votação on-line é a faceta menos interessante da ciberdemocracia. Há três avenidas principais, nesse quesito. A primeira é a chance de um número maior de pessoas participar, dar opiniões em questões públicas. A segunda pode ser chamada de e-governo, governo aberto, governo 2.0… Independentemente do nome que se dá, isso significa, na prática, maior transparência por parte do governo. O terceiro ponto é o advento de uma opinião pública global.
Mas o ciberespaço alcançará a totalidade da humanidade ou corremos o risco de viver uma realidade digna de Admirável Mundo Novo?
Há 20 anos e isso é menos do que uma geração havia menos de uma pessoa por país conectada. Hoje estamos chegando próximos da metade da população global. Chegaremos, lentamente, a 85%, 90%. E aqui, novamente, o problema não será o acesso, tecnicamente falando, mas a capacidade das pessoas de interagirem com esse mundo de forma responsável. E, de novo, caímos na questão da educação, que não é um problema a mais, mas a fonte de todos os outros.
Vivemos o ano da França no Brasil. Que semelhanças o senhor, de origem francesa, vê entre os dois países?
A França viveu períodos de produçãointelectual importante. Mas acho que os europeus em geral, apesar da fachada de progressismo, são extremamente conservadores. Prefiro esse desejo de novidades constante que vivem os brasileiros.
” O mundo precisa da rapidez doTwitter e da solidez das informações contidas em A República, de Platão “
Entrevista de Gustavo Klein publicada do Jornal “A Tribuna de Santos” a Pierry Lévy – filósofo e teórico francês radicado no Canadá, especialista em cultura digital.
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Poucos sabem ou nunca se deram conta da diferença entre notícia e informação. Um professor demora uma aula inteira para explicar e definir os dois conceitos a seus alunos do curso de jornalismo. Bastaria dizer — e todo mundo entenderia — que o conteúdo escrito na bula de remédios ou no catálogo das Páginas Amarelas são mera informação. Não existe um pingo de notícia ali. Por outro lado, quando a informação recebe um banho de loja — ou ganha algum charme — pode até ganhar as manchetes. Até mesmo em determinadas páginas de jornal não existe notícia. Basta folhear as incontáveis folhas dos classificados de domingo.
À primeira vista, ali não existe notícia. Um olhar mais atento pode interpretar, no entanto, a rotina de uma cidade, um povo ou mesmo de uma época. Fundado em 1827, o Jornal do Commercio, por exemplo, exibia naqueles anos — de império e escravidão — anúncios classificados vendendo negras peitudas e boas leiteiras. Já o Correio Paulistano publicou, ainda em 1880 — poucos anos antes da abolição — que o escravo Teodoro, “pardo, de bons dentes, acostumado a lidar com “animaes”, que lê números e faz contas de memória” estava foragido.
É também pelos classificados que é possível avaliar o aquecimento do mercado imobiliário, a variação de preços entre carros novos e usados e até onde vai a credulidade de alguns. Anúncio publicado recentemente em O Globo oferece “trabalhos para afastar vícios, doenças misteriosas, falência, filhos problemáticos, impotência, depressão, insônia, trazer a pessoa amada de volta”, etc. Quando os sequestros andaram em alta, foi pelos classificados que criminosos e parentes das vítimas trocaram avisos e informações. Em outro tijolinho, o detetive Geraldo exibe a própria foto e promete investigações sigilosas nos âmbitos empresarial e conjugal. É ainda nessas páginas que as promessas aos santos são pagas, que se buscam oportunidades no mercado e que se publicam abandonos de emprego para fins legais.
Em O Estado de S. Paulo, o número de colunas de pequenos anúncios dedicados aos serviços de blindagem de automóveis revela o quanto esse negócio está se tornando lucrativo na maior cidade do país. No mesmo caderno, mais um sinal de que a violência também traz oportunidades: alguém compra jóias, relógios e brilhantes. Basta ligar para o número de telefone que aparece no tijolinho do jornal.
Anunciantes respondem pelo conteúdo
Dentro desse mercado persa abrigado pelos classificados, os jornais alertam os leitores ao mesmo tempo em que se protegem. Eles avisam que não se responsabilizam pela procedência dos anúncios tampouco pela veracidade dos conteúdos ou sequer por eventuais prejuízos deles decorrentes.
Segundo a advogada Ana Maria Cavalcanti não cabe ao jornal a responsabilidade pelo conteúdo anunciado e sim ao anunciante. Para ela, o veículo tem o direito de se preservar, responsabilizando-se apenas pelo espaço editorial. “Os tribunais de Justiça costumam ter a mesma postura. As indenizações por danos morais — motivadas por erro de informação (preço, data etc) — cabem a quem produz o anúncio, no caso, o anunciante”, afirma.
Paola Fort, que vai morar três anos na Índia com o marido e as filhas, revela que até propostas de casamento estão nos diários indianos. “As famílias de lá compram espaço nos classificados de jornais importantes e publicam informações sobre seus filhos, grau de instrução, casta e dote. A busca, geralmente, é por alguém da mesma casta ou condição social superior. É uma prática muito comum o anúncio classificado para este fim”, comenta.
Novamente folheando estes cadernos no Brasil surge, em outro anúncio, Natália, “dezenove aninhos, branquinha, corpinho perfeitinho, totalmente namoradinha, realiza suas fantasias reprimidas”. Não fosse uma garota de programa, Natália, certamente, seria uma fada ou a Branca de Neve.
Por Claudio Carneiro
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É com profundo pesar que vejo as pessoas se esquivando de suas próprias verdades. Se enclausurando em um mundo a parte cercado por uma cerca que os protege da realidade.
Pessoas que vêem o mundo como se estivessem vendo televisão onde problemas são como canais de televisão basta mudar o canal e está tudo resolvido. Esquecem-se de que o programa continua rodando mesmo que elas não estejam mais sintonizadas naquele canal.
Pessoas que não enxergam relação entre elas e o mundo aliás para elas a vida é um grande aparelho de televisão. Ao ponto de usar o pronome vocês quando fala de uma situação que envolve um grupo do qual fazem parte ao invés de usar o pronome nós. Mas elas não se incluem no “programa televisivo” elas só assistem. O fato não tem nada a ver com elas.
Pessoas que se prostram diante de situações corriqueiras não assumindo nenhuma posição efetiva e se escusando: “O que você quer que eu faça?”
Nunca podem fazer nada não são responsáveis por nada no máximo são vítimas. Vítimas do destino; vítimas de Deus porque Ele assim o quis; vítimas de outras pessoas inescrupulosas. Nada é merecido…
Pessoas que agem com desdém com deboche e com ironia quando sofrem alguma reação o outro é grosso e ignorante. Não é culpa delas.
Pessoas que não sabem refletir discernir e resolver qualquer questão quando questionadas respondem com evasivas com desculpas ou evocando fatos que não possuem relação alguma com o fato em questão tornando ainda mais difícil o entendimento entre as partes.
Muitas vezes essas pessoas sequer ouvem o que você fala se ouvem não fazem nada para entender e responder de forma clara precisa e pontual à questão. Uma profunda falta de respeito e educação. Já dizia minha falecida avó: “Quando um burro fala o outro abaixa a orelha.” Uma regra da comunicação tão simples quanto eficaz e tão desprezada nos dias de hoje.
Entristece-me a dificuldade que as pessoas têm de pedir desculpas quando erram preferem atentar à inteligência de seus interlocutores com desculpas desconexas dificultando a chegada a um acordo.
Essas pessoas com dificuldades sérias de percepção de suas próprias existências de seus atos e consequentes reflexos acreditam serem humildes e vítimas de algozes e insensíveis arrogantes. Dói-lhes absurdamente reconhecer seus erros possuem uma necessidade vital de achar um culpado. Não possuem consciência de que o reconhecimento de um erro nos torna melhor mesmo que doa um pouco. Sempre dói. Então seguem persistindo em seus erros alegando que são assim mesmo. Paciência.
Pessoas essas que acham tudo “cumpricado” teimosas insistem em seus pontos de vista baseados unicamente em suas crenças e orgulho. Elas possuem uma visão simplista e tacanha do mundo o mundo delas é o que está dentro da fortaleza que as separa do resto do mundo real. Já vi pessoas formadas que fazem cursos de pós-graduação escrevendo sete ou oito parágrafos sem uma única vírgula. Questionada a respeito disse que escreve do “seu jeito”. Desde então eu me pergunto se existe no Brasil mais de uma regra gramatical da Língua Portuguesa ou se esta regra é passível de personalização. Me ajudem!
Seria simples se todos nós não tivéssemos consciência alguma de nossos atos do papel que desempenhamos em uma sociedade ou dos reflexos de nossas ações nos grupos dos quais participamos e no meio ambiente. A falta desta consciência torna as pessoas individualistas. Por isso elas nunca estão erradas fazem o que segundo o entendimento delas têm o direito de fazer; parar na faixa de pedestre e em curva; lavar a calçada com mangueira; queimar sofás na rua; pichar muros; pedir propinas; empregar parentes e paro por aqui do contrário isso viraria um livro. Por este mesmo motivo o de não estarem erradas não pedem desculpas tão pouco mudam o jeito de fazer as coisas. Como elas dizem: “são assim mesmo”.
Campanhas maciças são realizadas para se tentar mudar a forma dessas pessoas agirem para que entendam como elas afetam à sociedade e ao meio ambiente. Para alertá-las de regras mínimas necessárias ao convívio social. Entenda-se como sociedade qualquer comunidade da qual façamos parte.
Infelizmente essas campanhas na surtem efeito nem há condição de diálogo pelos motivos já expostos pois essas pessoas apenas “mudam de canal” e “resolvem” o “probrema”. Pelo menos não deixam o “probrema” invadir o cercadinho imaginário que criam em volta de si. Elas estão na sala e o que vêm é apenas ficção até que a realidade lhes atinja de forma inexorável. Mais ai ai é outra história é vontade de Deus. O quê elas podem fazer? Não é verdade.
Alguém já disse: “A consciência do brasileiro é a polícia”.
Por isso às vezes fico muito triste pois não vejo a luz no final do túnel. Ando por esta cidade moro em São Paulo – Capital e vejo ao vivo cenas que via em filmes norte-americanos da década de 70 e 80 sobre gangues de rua do bairro do Brooklin em Nova York tais como: Brooklin Warriors e Fuga de Nova York.
Vejo carros apodrecendo às vezes queimados nas ruas paredes pichadas; lixo espalhado; pessoas de todas as idades e sexo bebendo e usando drogas a céu aberto quando não estão caídas ou brigando; crianças comprando bebidas e cigarros e depois fumando e bebendo na frente de policiais que nada fazem.
Para mim isso é uma realidade triste fruto da ignorância e do individualismo que tiveram sua origem na dissolução da família base de qualquer sociedade.
A falta de consciência das pessoas é tão grande que delegaram aos professores o dever de educar nossos jovens infelizmente esqueceram-se de lhes dar a necessária autoridade.
São essas pessoas que sem educação sem ensino sem noção dos limites de liberdade necessários ao convívio social que se matam em seus pseudo-s lares. Violam e agridem mulheres e crianças que ameaçam e atacam professores que não reconhecem a autoridade policial ou temem a justiça.
Em certos momentos queria ser como eles, pois tenho certeza que é mais fácil ser como eles do que como sou.
Texto e reflexões de Marx Durkheim Hobsbawm Weber da Silva – Sociólogo e brasileiro
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O Jornalismo mudou com os avanços da tecnologia. Antes, o velho bloco deu espaço para máquinas de escrever, gravadores e computadores.
As mudanças na prática jornalística vieram, e são visíveis até então – as formas de se fazer o Jornalismo evoluíram significativamente. Hoje, todavia, a situação é diferente: as tecnologias não só transformam a prática como também os atores que dela fazem uso. A internet, surgida com finalidades militares, serviu de base para alterações profundas dentro do Jornalismo. As facilidades que a web trouxe são inúmeras, desde a possibilidade de uma maior pesquisa, o contato com fontes distantes, maior embasamento para pautas e matérias, entre tantas outras. Além disso, as interfaces facilitadas permitiram que não apenas os nascidos na geração da internet tivessem acesso – os jornalistas já no mercado sentiram essas transformações. Até porque, para o jornalista, é premissa básica manter-se atualizado, seja em informações, seja em tecnologias de trabalho. Também a realidade hoje, de fontes diversificadas de informação, exige do jornalista uma atuação multimídia, cobrindo fatos não só para uma plataforma. Essas interfaces próximas não só conquistaram os jornalistas, mas todos que desejassem ter seu espaço na grande rede. Blogs, em especial, são febre, e qualquer cidadão com acesso à internet tem a possibilidade de produzir material informativo. Assim, o questionamento que fica é sobre o pólo emissor no sistema de comunicação – afinal, o leitor torna-se também autor. E o jornalista, onde fica?
As páginas pessoais pipocaram na internet, e a informação começou também a ser buscadas nestes endereços. O que foi considerado, neste momento, é a informação – ela também existe nos blogs, contudo, carente de checagem e de outros procedimentos jornalísticos. Há certas páginas pessoais, contudo, que já alcançaram níveis de credibilidade comparáveis com veículos tradicionais de mídia. Ou até mais, como o blog cubano Generación Y, de Yoani Sanchéz. Ela traz, através de suas postagens, a realidade cubana vista pelos olhos da população – diferente e bem mais fidedigna do que a versão oficial. Assim, como não considerar tais fontes e suas informações? Vendo que os antigos atores do pólo passivo estavam tornando-se ativos, a ideia foi de reunir-se à eles. Participações, hoje, são constantes – os canais trazem espaços para os leitores, incitando sua participação, em especial devido a popularização de câmeras digitais e filmadoras.
As mudanças que esta nova condição dos leitores trouxe para o Jornalismo, em especial, passam por várias searas. Em períodos como o que vivemos hoje, onde o diploma recebe atenção especial, e sua obrigatoriedade é discutida, a atuação do jornalista, como profissional, também deve ser observada. Onde o leitor também é partícipe, o jornalista deve atuar como filtro de tais informações. Através de sua formação e atuação como jornalista, ele é o profissional capaz de manter a qualidade e a credibilidade de tais informações – considerando elementos como noticiabilidade, veracidade, legitimidade das fontes, entre outros. Além disso, ele deve ser o responsável por separar o joio do trigo, como diz o ditado – observar imagens e textos produzidos, vendo se há neles alterações, distorções ou manipulações. Outra mudança significativa é a pluralização de ideias e notícias. Vê-se isso, especialmente, pelas mídias sociais, como no caso do avião que pousou no rio Hudson, no início deste ano. A primeira imagem do pouso arriscado foi feita por alguém que por ali passava, e postou no Twitter. Quanto à presença de leitores no pólo emissor, as mudanças são, até então, positivas. Há mais variedade na construção das notícias, abrindo espaço para as informações locais, de grupos e entidades sociais, de minorias – uma infinita e plural produção de informação. Os veículos tradicionais, assim como os jornalistas que neles atuam, devem atentar para tais modificações no processo de produção da notícia. A tendência é uma participação ainda maior, proporcional ao maior acesso da população à internet, as constantes facilidades em interfaces e maquinário. O caminho parece ser sem volta, e a atuação do jornalista como filtro é a pedida para o futuro.
Já o consumo se altera de forma significativa, pela pluralidade de opiniões. Através da rede, antes mesmo de adquirir determinado produto, é possível saber como ele se comporta. Por isso, a saída é investir em qualidade, garantindo o sucesso do produto pela sua natureza. Além disso, estar atento para as necessidades dos clientes é básico, em especial quando há tanta concorrência e possibilidades de compra, como hoje. As mídias sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook e outras possibilidades, devem ser o foco das empresas comprometidas com a satisfação dos clientes. As mudanças, principalmente quanto à postura do cliente no momento da compra, são estímulos para que haja novas estratégias das empresas. Hot sites, ARGs e outras formas de aliar a internet com as estratégias da empresa são formas atraentes para o consumidor, e criam certa fidelidade. Assim, criar plataformas capazes de entreter e dar suporte ao cliente, tanto antes como depois da compra, pode ser uma saída para conquistar e manter o cliente, mesmo havendo opiniões divergentes.
Texto vencedor do III Prêmio Opinião e Notícia de 1º lugar – Manuela Ilha Silva, do Rio Grande do Sul.
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Até há poucos meses, a pergunta acima poderia embaraçar uns ou outros, mas não era tão grave. A Lei de Imprensa ainda vigia no Brasil. O diploma de curso superior com habilitação em jornalismo era obrigatório para o exercício da profissão. E, com base no diploma obrigatório, havia um mínimo de regulamentação para estabelecer, ainda que precariamente, o que era essa figura chamada de jornalista profissional. Agora, olhe bem à sua volta: o diploma caiu, a Lei de Imprensa deixou a vida para entrar na pré-história e a regulamentação, bem, a regulamentação não é nada nem ninguém. Ela não existe mais. Isso significa que, se alguém for perguntar à Lei o que é um jornalista, não encontrará resposta alguma. Se os olhos da sociedade se voltarem à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), encontrará o mesmo vazio. A Fenaj não define satisfatoriamente o que é um jornalista. Não definia antes – e, agora, muito menos.
O Código de Ética da Fenaj afirma que o jornalista é tanto o assessor de imprensa como o jornalista propriamente dito. Trata-se de uma ambivalência insustentável. Jornalistas são pagos para perguntar o que a sociedade tem o direito de saber; assessores são pagos para responder aquilo que seus clientes ou empregadores gostariam que a sociedade tomasse por verdade. Não que assessores desempenhem funções estruturalmente indignas ou ilegítimas, longe disso: eles desempenham um papel indispensável na comunicação social; apenas desempenham um papel que não se confunde, nem pode pretender se confundir, com o papel da imprensa. Por isso, tenho sustentado que o Código de Ética da nossa categoria repousa sobre um conflito de interesses.
Retomo, então, a pergunta ali de cima: o que é ser jornalista segundo os jornalistas brasileiros, que, até prova em contrário, são representados pela Fenaj? Antes, quando a Lei definia mais ou menos – bem mais ou menos mesmo – o que era um jornalista, a resposta ambígua da Fenaj não encerrava um problema tão sério. Agora, quando a Lei já não responde coisa alguma, a resposta ambígua se converte numa lâmina mortal contra a própria categoria.
Jornalistas são agentes da independência editorial – assessores, não
Por que o jornalista é tão essencial para a democracia? O Código de Ética da Fenaj não responde. E não responde porque não sabe definir o que, afinal de contas, é um jornalista. Se ele tenta fazer crer que a definição de profissional de imprensa independe dos interesses a que serve esse profissional, contribui para aumentar o embaralhamento em lugar de promover o esclarecimento. O que define o jornalista, nós sabemos, é a independência que ele guarda em relação ao poder do Estado e ao poder econômico. Agora, se o assessor de imprensa pode, segundo o nosso Código de Ética, ser entendido como jornalista, o requisito da independência cai por terra. Assessores não precisam ter compromisso com a independência editorial.
Com isso, a própria definição de imprensa se esfumaça, uma vez que não é possível presumir que a função de assessoria, que não pressupõe independência, atenda às exigências conceituais da instituição da imprensa. Se a sociedade buscar respostas para a pergunta incômoda ali de cima no Código de Ética da Fenaj, ficará a ver navios.
Escrevo isso com uma ponta de dor. Sou filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Sou, portanto, membro da Fenaj. Contribuo regularmente com o sindicato. Voto em todas as eleições da entidade. Mas constato, entristecido, que, na hora difícil que vivemos, a nossa representação sindical não nos ajuda a esclarecer por que a democracia precisa de jornalistas. Constato, enfim, que, se a Lei não mais demarca o que vem a ser o profissional da imprensa, tampouco as nossas associações livres são capazes de fazê-lo.
As contradições do nosso código
Insisto nesse ponto há vários anos. No dia 31 de março de 2006, defendi essa posição no Primeiro Seminário Nacional de “Ética no Jornalismo”, organizado pela Fenaj e pelo Sindicato dos Jornalistas de Londrina e Região, em Londrina (PR). Depois, neste mesmo Observatório, publiquei um artigo a respeito do assunto (ver “Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes”). Mais recentemente, em julho de 2009, o tema foi objeto de um capítulo do meu livro A imprensa e o dever da liberdade, editado pela Contexto. Volto à carga, uma vez mais. Volto à carga porque a pergunta que antes poderia ser embaraçosa, agora é apenas crucial.
O artigo 4 do código, em sua nova versão, aprovada em Congresso da categoria em 2008, estabelece que:
“O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.”
Interrogação: esse princípio normativo tem validade também para os assessores de imprensa? A resposta é duvidosa, mas parece ser negativa, de acordo com o próprio código. Uma evidência dessa ambigüidade aparece no artigo 12, inciso I, segundo o qual “o jornalista deve”:
“…ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas”.
Grifei de propósito a expressão “ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa”. Ela aparece no nosso código para dizer que, para os profissionais que exercem funções de assessoria da imprensa, supostamente regidos pelos mesmos parâmetros, as exigências naturais que pesam sobre os profissionais de imprensa não valem da mesma forma. A Fenaj, hoje, procura acomodar dentro de um só código duas éticas diferentes: a do jornalista e a do assessor. Esse hibridismo é tão malabarístico que, por vezes, o código precisa abrir licenças táticas para os assessores, de modo que eles não se sintam obrigados a observar os deveres da imprensa.
É bem esse o caso do artigo 12, que desobriga os assessores de “ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas”. O assessor, então, também é jornalista, mas não tanto assim.
Há outras contradições flagrantes. O artigo 7, por exemplo, dispõe:
“O jornalista não pode:
“(…)
“II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
“(…)
“VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;”
Fixemo-nos no que diz o inciso II desse artigo: “o jornalista não pode submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação”. Pergunte-se: esse inciso não contradiz o disposto no inciso I do artigo 12 que acabamos de ver, aquele mesmo que concede, ao assessor de imprensa, uma dispensa de “ouvir o maior número de pessoas e instituições”? Como um assessor de imprensa, encarregado por dever de ofício a prestigiar apenas um dos lados de um acontecimento, pode ser obrigado a observar a “precisa apuração dos acontecimentos”? Ele ouvirá todos os lados? Se não, por que, aqui também, não lhe foi outorgada a dispensa de cumprir os deveres do jornalista? Será que os redatores do código se distraíram?
Examinemos agora o inciso VI do mesmo artigo 7. Dele resulta muito claro que o jornalista “não pode realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas”.
Portanto, é indiscutível, o código confere uma autorização tácita para que o profissional acumule duas funções, a de repórter num veículo jornalístico e a de assessor de alguma repartição. Será que esse acúmulo de funções é desejável para a ética de imprensa? Dez entre dez bons jornalistas responderão que não. Não obstante, só o que o código não autoriza é que esse profissional faça reportagem para esse veículo jornalístico sobre a entidade para a qual trabalhe como assessor. Pior ainda: segundo o mesmo código, o profissional agirá eticamente se realizar, por exemplo, uma reportagem sobre a entidade rival àquela que o emprega como assessor. Desse modo, o assessor de imprensa de um time de futebol poderá escrever uma matéria sobre o time adversário para um veículo em que trabalhe, digamos, como editor. E não incorrerá, segundo o mesmo código, em nenhuma falta ética. Só o que ele não pode é escrever sobre o lugar em que trabalha como assessor. Novamente, a contradição é chocante.
Assessor tem direito ao sigilo da fonte?
As contradições do nosso Código de Ética são ainda mais perversas do que isso. O que aconteceria no caso de um conflito institucional entre assessores e repórteres? De que lado ficariam as nossas entidades representativas? Quando um assessor busca preservar o seu cliente, cumprindo, assim, sua função legítima (ainda que não jornalística), e um jornalista insiste em entrevistá-lo, de que lado ficaria a Fenaj? Se assessores de imprensa também são jornalistas, tanto quanto os repórteres investigativos, por que é que a sociedade precisa de redações independentes?
Pensemos na figura do sigilo da fonte. Segundo a Constituição, artigo 5, inciso XIV, “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Também o nosso Código de Ética, o da Fenaj, reafirma o direito ao sigilo da fonte. Mas atenção: assessores têm o mesmo direito? Se não têm, por que não têm? A resposta é muito simples: porque o seu ofício é radicalmente distinto do ofício do jornalista.
Os problemas desse código híbrido são variados e profundos. São mais numerosos do que os apontados aqui. Agora, nessa hora traumática, em que a Lei já não define a identidade dos profissionais de imprensa, nós temos apenas a nossa ética – que deveria vir expressa no nosso código – para nos afirmarmos como categoria específica, diferenciada, indispensável para a democracia. Pois bem: quem somos nós, os jornalistas? Infelizmente, o Código de Ética da Fenaj não nos ajuda nisso.
No mínimo, a Fenaj deveria providenciar a subdivisão de seus cânones, redigindo um conjunto de normas para jornalistas e outro para assessores. No máximo, deveríamos contar com entidades diferentes para representar as duas categorias profissionais. Enquanto não providenciamos nem uma coisa nem outra, vamos afundando nas ambiguidades e nas contradições sindicais, que, lamentavelmente, só fazem jogar confusão na nossa identidade institucional.
Por Eugênio Bucci – Jornalista, Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.
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Jornalismo Ambiental enfrenta no Brasil, há muito tempo, inúmeros desafios. O principal desafio que enfrenta está relacionado com o conceito de jornalismo ambiental, o qual se observa que deriva da imagem de meio ambiente que é divulgado (em boa parte da imprensa, inclusive) em que assumem o meio ambiente como algo distante da realidade que nos cerca, como somente as florestas, os animais em extinção, calotas polares derretendo, etc. A cobertura da mídia não encara o meio ambiente como espaços que geram mudanças na vida humana e no âmbito global, e, portanto, reflete o equívoco em se optar por pautar temas somente do âmbito natural, com conceitos reducionistas e dicotômicos como se o meio ambiente não incluísse nosso ambiente urbano, cultural, do trabalho e como se cada um de nós não impactasse o meio ambiente a todo o momento.
A capacitação dos jornalistas que irão trabalhar na área é outro grande problema, pois é justamente onde as universidades falham na formação da percepção que cada jornalista deve ter de seu papel determinante na sociedade. São eles que irão denunciar as questões ambientais em parceria com ONG’s e movimentos sociais em prol do meio ambiente, para, conforme Freire (2003), “catalisar a formação de novos valores e promover a percepção em várias direções”[1], conscientizando as sociedades da necessidade do debate e da prática para uma sustentabilidade ambiental.
O “jornalismo ambiental” peca quando chama de sustentáveis práticas consideradas condenáveis, só para defender o interesse econômico de grandes empresas ou patrocinadores de seus meios de comunicação, por exemplo, como as que estão relacionadas com o uso intensivo de agrotóxicos na agricultura ou defendendo os transgênicos. Sendo seu outro desafio o sistema de produção jornalística, fragmentado em editorias, normalmente em economia, ciência e tecnologia, e que, por isso, enxerga a questão ambiental a partir de olhares específicos para essas áreas, não contemplando a amplitude que a temática oferece. Esse fato explica a visão estreita dos editores de economia, por exemplo, que confundem sustentabilidade com crescimento econômico e ainda confirmam que o mundo poderá se “desenvolver” com soluções químicas, rápidas ou degradantes – e desagradáveis – como os transgênicos, as plantações de eucaliptos – que chamam de florestas, como se ela mantivessem biodiversidades ou fossem perenes – que também limitam os solos, ou até mesmo as “maravilhas do progresso” das hidroelétricas na Amazônia e a transposição do rio São Francisco.
Concomitantemente, as editorias de ciência fazem do jornalismo ambiental uma forma tecnicista e reservada a entrevistas com doutores e “especialistas”. Estes que, muitas vezes, são funcionários da indústria química, da indústria de biotecnologia – possuidora de monopólios de sementes – ou suas empresas parceiras, tornando-os as principais fontes no desenvolvimento dos produtos jornalísticos parciais em detrimento dessas indústrias e distantes da realidade ambiental tão ampla. Com isso excluem a voz de entrevistados importantes como os agricultores familiares, os povos que vivem em meio à floresta, pescadores, entre outros, que compreendem de perto a questão ambiental e sofrem as suas conseqüências.
Há também o desafio de se despolitizar o debate das questões ambientais, pois se observa que o jornalismo contemporâneo tende a contemplar interesses individuais e não percebe as conexões entre os problemas ambientais, o modelo de desenvolvimento econômico, o processo acelerado de globalização e o consumo desenfreado e também estimulado, muitas vezes, pelos meios de comunicação. Fazendo isto, a imprensa assume uma visão reformista e não transformadora, ajudando na manutenção de injustiças sociais, que tolera a ausência de políticas públicas, como para o tratamento e o destino do lixo de nossas cidades, o péssimo saneamento básico, etc. Não estabelecendo vínculo entre a temática ambiental e a posse da terra, a distribuição territorial das cidades, as condições de trabalho, a imprensa também mantém uma a visão maniqueísta e mitificada do crescer versus preservar e assim preserva os monopólios e os privilégios de determinados grupos na sociedade. Para por fim descumprir com o seu papel de fiscalizador e agente social a favor de uma sociedade melhor.
A cobertura do meio ambiente no Brasil é conivente com as barbáries ocorridas no âmbito natural quando freqüentemente estigmatiza como “praga” tudo que não tem valor comercial, ou omite recorrentes perigos ambientais como é a comercialização no Brasil de agrotóxicos proibidos em outros países. Portanto, só divulgam informações sobre esses temas quando acontecem grandes catástrofes. Assim como vendem grandiosos espaços em seus canais e revistas para a publicidade enganosa de empresas que parecem ser “defensoras” do meio ambiente, mas que agem de outra forma na realidade, como a Vale do Rio Doce e Coca-Cola.
As boas coberturas midiáticas sobre o meio ambiente – ou seja, excluem-se aquelas que pregam o meio ambiente apenas como um negócio em que o lucro está sempre em 1° lugar – têm sido a saída para a democratização do debate das questões ambientais e mais um meio vigilante das atrocidades ambientais. Continuemos, então, a motivar a compreensão da importância do Jornalismo Ambiental no e para o Brasil para que se consiga superar seus desafios a curto prazo.
[1] FREIRE, G. Educação Ambiental – princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2003. Freire ainda afirma que “compreender que a questão ambiental é interdisciplinar, em que se entrecruza o conhecimento técnico científico, as normas e valores, o estético cultural, regidos por razões diferenciadas. Para ele, a solução dos problemas ambientais não é de natureza técnica, mas de uma opção político cultural e de um novo paradigma” – in “A expressão dos movimentos ambientais na atualidade: mídia, diversidade e igualdade”, artigo de Katarini Giroldo Miguel, texto apresentado no XXX Intercom, Santos, 2007.
Texto da jornalista e pesquisadora Fernanda Kintschner.
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Ñ possu fik nm + 1 min com vc
sintu mt mô + naum podi c
moru em jaçanãnnnn
xi eu perdê exi trem
ki sai agora as 11 hr
só amanhã di manhã
O compositor Adoniran Barbosa, nome artístico do valinhense João Rubinato, jamais poderia imaginar que uma das suas mais conhecidas obras, a música Trem das Onze, clássico do cancioneiro popular brasileiro composto em 1965, um dia seria traduzida para o internetês. Mas foi. A nova linguagem, própria do mundo virtual, ganha proporção à medida que novas levas de pessoas são incluídas no espaço digital. Por conta desse avanço, despontam na web comunidades linguísticas favoráveis e contrárias a essa forma de expressão grafolinguística. “Há um movimento de identificação com esse tipo de linguagem e com o modo como ele é usado no âmbito da informatização, embora também seja possível identificar resistências a ele”, analisa Marisa Ganança Teixeira da Silva, que defendeu recentemente tese de doutorado sobre o tema. O trabalho, orientado pela professora Suzy Lagazzi Rodrigues, foi apresentado no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp.
A reportagem é de Manuel Alves Filho e publicada pelo Jornal da Unicamp, 14 a 20 de setembro de 2009.
Em seu estudo, Marisa procurou compreender os modos de funcionamento do internetês, da língua portuguesa e da língua brasileira no espaço digital, bem como os gestos de interpretação daí advindos. A preocupação em diferenciar a língua portuguesa da brasileira vem da compreensão da autora, fundamentada na obra da professora Eni Orlandi, também da Unicamp, de que a língua falada e escrita atualmente no país é muito distinta da existente em Portugal, em função dos processos de significação e das mudanças que experimentou ao longo do tempo. “Fundamentei minha pesquisa na teoria da Análise do Discurso, visto que queria considerar não apenas as linguagens em si, mas principalmente seus sentidos”, explica.
No entender de Marisa, o internetês é uma linguagem específica do mundo virtual. O emprego do computador e de programas de edição de texto, afirma, contribui para a constituição de sentidos. “A especificidade do instrumento tecnológico induz à utilização de uma linguagem própria, mais informal e, portanto, mais fluida. Nesse tipo de linguagem, a brincadeira é permitida”, considera. Nesse sentido, a autora estabelece uma diferenciação entre os gestos de teclar e digitar. O primeiro, diz ela, remete ao internetês, que é favorecido pelo uso de símbolos e caracteres presentes no teclado, cuja função é criar atalhos para a transmissão da mensagem. O segundo está relacionado à linguagem formal, orientada pelas normas ortográficas e gramaticais. Neste, não há lugar para brincadeiras. “Entretanto, os dois tipos de linguagens atuam no mesmo espaço e estabelecem relações entre si”, atesta
Marisa Ganança Teixeira da Silva, autora da tese: “A especificidade do instrumento tecnológico induz à utilização de uma linguagem própria, mais informal e, portanto, mais fluida”. Durante a pesquisa, Marisa investigou 42 comunidades virtuais abrigadas no site de relacionamento Orkut. Destas, sete tratavam sobre a língua portuguesa, quatro defendiam a existência da língua brasileira, uma era contrária a esta língua brasileira, 13 eram favoráveis ao internetês e outras 17 faziam oposição ao uso deste último. “Eu analisei diversos aspectos relacionados a essas comunidades. Considerei desde as suas denominações até as formulações e propostas nelas contidas. Foi interessante notar que a relação entre línguas e linguagens deixa entrever um processo de identificação com a língua nacional. No funcionamento dessas línguas e linguagens no âmbito da internet, os sentidos produzidos carregam os sentidos inscritos na memória discursiva da constituição do Brasil como nação”, reflete.
Numa das comunidades que defendem o internetês, Marisa deparou com a proposta de criação de um dicionário português/internetês. Também encontrou sugestões de tradução de poemas e músicas para a nova linguagem, como no caso da canção de Adoniran Barbosa. “Na versão que encontrei na web, é interessante perceber que essa linguagem própria do espaço virtual também traz marcas do chamado português formal, como a observância às regras de acentuação. Ao mesmo tempo, é uma linguagem que brinca com as normas ditas cultas, na medida em que cria palavras não consagradas pelos dicionários”, afirma Marisa.
Ainda nessa linha, a autora da tese observa que, ao contrário da visão tradicional, segundo a qual a tradução de um texto requer uma rigorosa prática de interpretação, no internetês são permitidas variadas traduções de um mesmo texto. “Essa diversidade nos leva a concluir que o objetivo não é sanar a completude da linguagem ou tentar entender o texto. Antes, é uma brincadeira com a língua; um gracejo com a sonoridade e com a oralidade da língua”, acrescenta Marisa. Embora não tenha abordado esse aspecto em sua tese, a especialista revela que tende a concordar com aqueles que consideram que o internetês não produzirá uma interferência significativa na língua formal, ainda que esse tipo de linguagem seja utilizado ocasionalmente por estudantes em sala de aula, associado com o português.
Marisa reforça que o internetês é propiciado principalmente por conta do uso do computador e dos recursos oferecidos pelo teclado e pelos programas de edição de texto. Sem essas ferramentas, ele perde, por assim dizer, muito da sua constituição. “Além do mais, até que ponto as pessoas vão continuar querendo usar o internetês da forma como o conhecemos hoje? Como essa linguagem oferece muitas possibilidades, é razoável imaginar que os adeptos dela vão desejar inovar, o que os levará a criar outras maneiras de comunicar o que pensam”, infere.
De acordo com a pesquisa desenvolvida por Marisa, os smileys podem ser considerados os precursores do internetês, dado que eles se prestam a uma linguagem abreviada e universal. O internetês, de acordo com a pesquisadora, foi criado para a troca de arquivos e bate-papos no meio virtual. “A utilização dos smileys tanto em conversas informais quanto em discussões de grupos me leva a compreender a relação com o surgimento dessa nova forma de linguagem. Também me leva a considerar a relação do internetês não com uma língua específica, mas com qualquer outra língua”, finaliza a autora do trabalho.
Matéria publicada na Revista Online do IHU – Instituto Humanitas Unisinos.
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